domingo, 4 de julho de 2010

06/12 - VASCULHANDO O ORVIL - ALN - Capítulo I

 
 Hienas trabalhando
Capítulo I -  Pela editoria do site
        Lucas Figueiredo continua vasculhando o “Orvil”, “Tentativas de Tomada do Poder”, ou “Livro Secreto do Exército” à procura do que interessa à esquerda. Pelo que declarou, ele conseguiu uma cópia desse livro no início de 2007 e deve estar esquadrinhando-o em busca de alguma coisa que incrimine as Forças Armadas. Lança reportagens nas datas importantes para as Forças Armadas, como a Semana do Exército, já comentadas nesse site (veja Orvil). Lançou outra no dia 26/11, véspera da Intentona Comunista, quando todos os sites que não são vermelhos, lembravam a traição de um grupo de comunistas, liderados por Luis Carlos Prestes, que matou durante a madrugada vários companheiros de farda e muitos civis.
Texto completo

Nesse dia, o Correio Braziliense, em duas páginas, publicou a matéria de Lucas Figueiredo: “O Retirante que a Ditadura matou por engano”, da qual transcrevemos os trechos em negrito:

“Regime militar

Confundido com um guerrilheiro, o caseiro Joaquim Gonçalves dos Santos foi morto por órgãos da repressão, no município de Cotia (SP), em 1969. O caso foi abafado pelas Forças Armadas.”


Alega, Lucas Figueiredo, que chegou a essa conclusão porque “a primeira pista do caso era uma confissão. Uma confissão velada, feita pelo Exército no chamado Livro Negro do Terrorismo no Brasil”, como ele chama o Orvil.


 Agora, como acreditar que ”o caseiro” Joaquim Gonçalves dos Santos era um simples caseiro de um sítio onde a VPR guardava armas, como ele mesmo diz na reportagem, e onde “de vez em quando aparecia alguém para dar uns tiros numa panela velha, testar bombas caseiras ou promover encontros clandestinos.”?

E que caseiro era esse que achava normal, tiros e explosões de bombas? 

Como acreditar que José Nonato Mendes, torneiro mecânico de profissão e nas horas vagas guerrilheiro da Ação Libertadora Nacional (ALN), que “recebeu importante missão da cúpula da organização: viajar a Cuba, onde receberia treinamento para se transformar num guerrilheiro profissional”, seria tão ingênuo ao ponto de arranjar, como diz a reportagem, um caseiro que não fosse um militante?

Logo Nonato, que fez parte do I Exército da ALN, enviado por Marighella para Cuba, a fim de fazer curso de guerrilha juntamente com Adilson Ferreira da Silva, Aton Fon Filho, Epitácio Remígio de Araújo, Hans Rudolf Jacob Menz, Otávio Ângelo e Vírgilio Gomes da Silva.


Como ele, tão experiente, que foi selecionado pela cúpula para se especializar em Cuba na arte de fabricar e manusear armas e explosivos, iria deixar um retirante, não se sabe vindo de onde, segundo a reportagem, se de Minas ou do Maranhão, tomando conta de um “aparelho” da ALN ou da VPR ?


Sem referências, o caseiro poderia ser, até, um infiltrado.


Somente uma pessoa que não conheça a história da luta armada, suas medidas de segurança, a compartimentação entre seus membros, poderá acreditar que o retirante morto, na realidade, não era um militante.


Quanto ao fato dele não constar em lista de mortos, Lucas Figueiredo deve perguntar à esquerda. Perguntar aos membros das ONGS de direitos humanos o que aconteceu. Existem alguns mortos que a esquerda não relaciona entre suas vítimas. Pois ele,   militante ou não, foi vítima da luta armada.

Quem sabe se eles não pensam que o caseiro entregou o esconderijo?


Quanto ao fato dos órgãos oficiais terem reagido a tiros, era normal na época, já que iam “estourar” um aparelho de uma organização terrorista que já tinha praticado inúmeros atentados e havia matado 13 combatentes, em assaltos diversos, além de vários civis.


 Se foi assassinato, como é dito na reportagem, por que deixaram  a companheira, Jovelina, viva, para denunciar o crime?


E, se procuravam uma pessoa importante da VPR, por que o matariam se ele não tivesse reagido?


Por que não levá-lo preso para conseguir mais  informações sobre a organização e as pessoas que freqüentavam o sítio?


           Nos próximos capítulos começaremos a transcrever trechos do Orvil, contando a trajetória da ALN e da VPR.

16/12 - VASCULHANDO O ORVIL - ALN - Capítulo II

 Pela editoria do site
No dia 26/11 o Correio Braziliense, em duas páginas, publicou a matéria de Lucas Figueiredo: “O Retirante que a Ditadura matou por engano”, da qual transcrevemos os trechos em negrito:

“Regime militar
Confundido com um guerrilheiro, o caseiro Joaquim Gonçalves dos Santos foi morto por órgãos da repressão, no município de Cotia (SP), em 1969. O caso foi abafado pelas Forças Armadas.” 
Ainda em resposta à reportagem  de Lucas Figueiredo, vamos  continuar vasculhando o Orvil
Texto completo  
Capítulo II     
Origem da ALN 
Antigo militante do PCB e membro do Comitê Central, eleito sucessivamente, nos Congressos de 1954 e 1960, Carlos Marighela constituía-se num dos maiores líderes da Corrente Revolucionária, que tentava radicalizar a linha política do PCB. Sua maior influência era em São Paulo e seus correligionários diziam pertencer à “ Ala Marighela”. 
Em 10 de dezembro de 1966, Marighela já havia enviado uma carta à Executiva do PCB,  na qual renunciava à Comissão Executiva e declarava-se  a favor de uma postura revolucionária
Convidado em caráter especial e sem pedir autorização ao Comitê Central do PCB, Marighela compareceu à I Conferência da OLAS - Organização Latino- Americana de Solidariedade, realizada em Havana em julho/agosto de 1967.Tomando Ciência de sua viagem, o PCB  enviou nota ao PC de Cuba, afirmando que Marighela não estava autorizado a comparecer. Imediatamente,  ainda de Havana , Marighela enviou uma carta à Comissão Executiva do PCB na qual afirmava:
“É evidente que compareci sem pedir permissão ao Comitê Central primeiro porque não tenho que pedir licença para praticar atos revolucionários, segundo porque não reconheço nenhuma autoridade revolucionária, neste Comitê Central, para determinar o que devo, ou não, fazer.”
“(... ) prosseguirei pelo caminho da luta armada, reafirmando minha atitude revolucionária (...) “
 Ao retornar ao Brasil, impregnado das concepções foquistas ( teoria cubana de pequenos grupos de guerrilheiros agindo em várias partes  e com certa independência)  e contando com os dólares cubanos, Marighela denominou o seu grupo,  a “Ala Marighela", de Agrupamento Comunista de São Paulo – AC/SP, que iria dar origem a  Ação Libertadora Nacional – ALN

Em setembro de 1967, Marighela  enviou a primeira turma de militantes para fazer curso de guerrilha em Cuba, o chamado, posteriormente, I Exército da ALN.

 Componentes do I Exército da ALN:
 José Nonato Mendes*, Adilson Ferreira da Silva, Aton Fon Filho, Epitácio Remígio de Araújo, Hans Rudolf Jacob Menz, Otávio Ângelo e Vírgilio Gomes da Silva.

A escolha do “Partidão” ( PCB),  de tomada do poder pela linha pacífica, tornou o AC/SP um pólo de atração para os grupos dissidentes que tinham feito opção  da tomada do poder pela luta armada . A organização ganhou adeptos entre os dissidentes do PCB e de grupos de jovens marxistas oriundos do meio estudantil.

Em fevereiro de 1968, Marighela expunha suas diretrizes no documento “Pronunciamento do Agrupamento Comunista de São Paulo “
A guerrilha, segundo o documento  seria o “embrião do Exército revolucionário”
O trabalho inicial seria nas cidades mas, o movimento para se tornar vitorioso teria de se estender  ao campo para criar o apoio do núcleo armado operário e camponês. 
 Três seriam os princípios básicos adotados pelos revolucionários :
a-   O dever de todo revolucionário é fazer a revolução;
b-   Não se pede licença para praticar atos revolucionários; e
c-  A organização só tem compromisso com a revolução. 
Esta seria a semente de uma das organizações mais violentas que atuariam no Brasil nas décadas de 60 e 70.
Em março de 1968, seguindo suas próprias diretrizes, Marighela chefiou o assalto ao carro pagador do Banco Francês e Italiano, na avenida Santo Amaro, em São Paulo. 

A partir de julho de 1968 os militantes ( I Exército da ALN) retornavam de Cuba, depois de fazer o curso de guerrilha e iniciavam , já treinados militarmente, suas ações criminosas. Marighela investia em sua organização. À mesma época , iniciava-se  o envio de mais  um grupo ( II Exército da ALN), que reunido em Cuba, realizaria o treinamento militar entre março e setembro de 1969. 

 Faziam parte do II Exército da ALN :
Agostinho Fiordelísio, Alex de Paula Xavier Pereira, Antonio Carlos Bicalho Lana, ,Antônio Espiridião Neto, Benjamin de Oliveira Torres Neto, Darcy Toshiko Miaki, Guilherme Otávio Lessin Rodrigues, Isis Dias de Oliveira,  José Júlio de Araújo,  José Luiz Paz Fernandes, José da Silva Tavares, Luiz Almeida de Araújo, Luiz José da Cunha, Márcio Leite Toledo, Maria Amélia de Araújo Silva, Norberto Nhering , Paulo de Tarso Celestino, Renato Leonardo  Martinelli, Ricardo Apgaua Paulo Guilherme, Sérgio Ribeiro Granja, Viriato Xavier de Melo Filho, Waldemar Rodrigues de Menezes, Washington Adalberto Mastrocinque Martins, Yuri Xavier Pereira e Zelik Traj Ber.

AÇÔES DA ALN EM 1968
Já em 1968, apoiado pela chegada do primeiro grupo vindo de Cuba, Marighela liderou alguns assaltos, todos na área de São Paulo.
São da autoria do Agrupamento Comunista de São Paulo -AC/SP As seguintes ações:
- Assalto ao Banco  Comércio e Indústria, Av. São Gabriel, 191:
- Assalto à Agência Bradesco da Alameda Barros com avenida Angélica;
- Assalto ao trem pagador da Estrada de Ferro Santos – Jundiaí;
- Assalto ao carro pagador da Massey Ferguson, Alto de Pinheiros ;
- Assalto à casa de um colecionador de armas, Alameda Ribeirão Preto;
- Atentado contra um carro pertencente a um elemento do Dops de  São Paulo, Avenida Marginal;  
- Atentado a bomba contra a casa de um diretor da Contel.
- Assalto `a Indústria Rochester de Armas e Explosivos, em Mogi das Cruzes.
Esta última ação foi a mais audaciosa desse período, onde cerca de trinta militantes , em treze carros, levaram 23 caixas de dinamite, 21 bananas de gelatina explosiva e 4 sacos de clorato de potássio.

 - Em 12 de outubro de 1968, prosseguindo a escalada de violência , foi assassinado em São Paulo, o Capitão do Exército  dos Estados Unidos Charles Rodney Chandler, por Marco Antônio Brás de Carvalho ( Marquito) , homem de confiança de Marighela, juntamente com outros elementos da VPR . 
As ações do AC/SP, em 1968, limitaram-se a São Paulo e renderam mais de 530mil cruzeiros novos, além de terem acrescentado armas e explosivos ao arsenal da organização. 
Participaram dessas ações os seguintes militantes: 
Aton Fon Filho, Manoel Cyrilo de Oliveira, Denison Luiz de Oliveira, Josef Alprim Filho ,Miguel Nakamura, Francisco Gomes da Silva, Ayrton Medeiros  Caldeville, Maria Aparecida da Costa, João Leonardo da Silva Rocha, Takao Amano, Ney da Costa Falcão, Vinicius Medeiros Caldeville, Carlos Henrique Knapp, Eliane Toscano Samikhowski, Boanerges de Souza Massa, Itobi Alves de Correia Júnior, Caio Venâncio Martins, Ana de Cerqueira Cesar Corbisier Mateus, Carlos Marighela,  Marco Antônio Brás de Carvalho, Arno Press, Virgílio Gomes da Silva, Sérgio Roberto Correia, João Carlos Cavalcanti Reis, Aylton Adalberto Mortati, Celso Antunes Horta, Carlos Eduardo Pires Fleury  e Lauriberto José Reyes.

Lucas Figueiredo,  como pode um homem com a experiência de José Nonato Mendes*, escolhido para fazer curso em Cuba, contratar um caseiro desconhecido, do qual não sabia nem o estado de origem, para tomar conta de um sítio onde os militantes de organizações, como a ALN e a VPR, íam treinar tiro, explodir bombas e esconder armas?

29/12 - VASCULHANDO O ORVIL - Capítulo III

 Pela editoria do site
Capítulo III - ALN

Em abril de 1968, o Agrupamento Comunista de São Paulo - AC/SP lançou o primeiro número do jornal “ O Guerrilheiro”, que tinha como objetivo principal difundir mensagens sobre a  guerrilha brasileira. Constavam da publicação o “ Pronunciamento do Agrupamento Comunista de São Paulo” e a “ Declaração Geral da I Conferência da Olas “, textos de Marighela, que constituíam a ideologia do AC/SP, e sua linha política.
Texto completo
O editorial desse jornal afirmava que, no núcleo armado operário e camponês, existia espaço para o movimento estudantil e demais forças interessadas na revolução. Afirmava, também, que “ o grande objetivo”, era a tomada do poder, que ficaria caracterizada pela destruição do aparelho burocrático militar do Estado e a sua substituição pelo povo armado.


Em 1968 foi difundido também, o documento “Algumas questões sobre as guerrilhas no Brasil “ de autoria de Carlos Marighela. O texto inseria a revolução cubana dentro da revolução mundial, apresentando-a como exemplo da conquista do poder, por meio da guerra de guerrilha.

No texto, Marighela estabelecia três fases principais para a implantação e o sucesso da guerra de guerrilha:

1º - planejamento e preparação da guerrilha;

2º - lançamento e sobrevivência da guerrilha; e

3º - crescimento e sua transformação em guerra de manobra.


Em fins de 1968, Marighela difundiu entre os membros do AC/SP, o documento “Questões de Organização”

O documento anunciava a criação de um centro de aperfeiçoamento, uma escola de formação de guerrilheiros. Preconizava também três frentes de atividades: A Frente Guerrilheira, a Frente de Massas e a Rede de Sustentação.

 Caberia à Frente Guerrilheira , dentro da fixação de Marighela pela ação terrorista, atuar em todas as partes do país . A Frente de Massa teria uma atuação semelhante à Frente Guerrilheira e atuaria nos setores estudantil, operário, camponês e eclesiásticos, e deveria desenvolver ações armadas .
 
 
Participação dos Frades Dominicanos no AC/SP

No início de 1968, Frei Augusto de Rezende Júnior liderou diversas reuniões dentro do Convento dos Dominicanos, na Rua Caiubi, 126, em São Paulo.

 liderou e, Participavam das reuniões:

frei Carlos Alberto Libânio Christo ( frei Beto);

frei Fernando de Brito ( frei Timóteo Martins );

frei João Antônio Caldas Valença( frei Maurício );

frei Tito de Alencar Ramos;

frei Luiz Felipe Ratton;

frei Magno José Vilela; e

frei Francisco Pereira Araújo ( frei Chico).


Essas reuniões visavam uma tomada de posição política, que levou à adesão de vários religiosos ao AC/SP.

O clero já começara a se entrosar com as organizações subversivo-terroristas antes dessas reuniões. Além do AC/SP, frei Beto, um dos mais atuantes dominicanos no apoio à luta armada já entrara em contato com a Vanguarda Popular Revolucionária - VPR , por meio de Dulce de Souza Maia.

 O apoio dos religiosos para com as organizações subversivo-terroristas era o resultado de um longo processo da penetração do marxismo-leninismo no meio da igreja.

O engajamento dos dominicanos foi total. Frei Osvaldo, frei Ivo, frei Ratton, frei Tito e frei Fernando fizeram levantamentos em áreas onde havia atritos fundiários e onde os subversivos pudessem acirrar os conflitos e a luta de classe no campo.

Por medidas de segurança, o trabalho de cada um passou a ser compartimentado. Frei Ivo , “ Pedro”, passou a exercer as funções de motorista de Frei Osvaldo, “Sérgio” ou “Gaspar I” , nos contatos com Marighela; frei Magno, “ Leonardo”, mantinha contato com Joaquim Câmara Ferreira, o “Toledo”; e frei Beto, “Vitor” ou “Ronaldo”, ficou com o sistema de imprensa ( O Guerrilheiro)

 

Participação do Movimento Estudantil no AC/SP

 

Rapidamente as idéias de Marighela foram penetrando no meio estudantil e ganhamndo adeptos em várias cidades . Inúmeras lideranças surgiram.

A partir de março de 1968 o AC/SP estabeleceu contato com o Grupo Corrente, de Minas Gerais, liderado por Mário Roberto Galhardo Zanconato , o “ Xuxu”, Em Brasília, em torno de Luís Werneck de Castro Filho e José Carlos Vidal, o “Juca” que fora apresentado a Marighela por Flávio Tavares que já era seu contato, no Rio de Janeiro .

 As atividades criminosas do grupo, iniciadas no começo de 1968, encerrariam o ano no dia 17 de dezembro, com uma bomba que explodiu, às 2 horas da madrugada, no Monumento dos Aviadores da 2ª Guerra Mundial, na Praça 14-Bis, em São Paulo. No local foi deixado um suplemento do Jornal “O guerrilheiro”, com uma “Mensagem aos Brasileiros”, assinada por Carlos Marighela.

 Muitos estudantes, ligados ao AC/SP , alguns já com curso de técnicas de guerrilha em Cuba, largaram as passeatas, as escaramuças de rua, as invasões de faculdades , os quebra-quebras , trocaram os livros pelas armas e explosivos e passaram a fazer parte de um dos grupos ( eram cerca de 29 as organizações ) mais violentos que atuaram na luta armada, a Ação Libertadora Nacional - ALN .

05/01 - VASCULHANDO O ORVIL - ALN -Capítulo IV

 AÇÃO LIBERTADORA NACIONAL – ALN
Pela editoria do site

Em janeiro de 1969, o  Agrupamento Comunista de São Paulo - AC/SP- , usaria pela primeira vez o nome de Ação Libertadora Nacional - ALN-, no  documento “Sobre Problemas e Princípios Estratégicos”. Este seria o nome utilizado a partir daí pela organização  orientada por  Marighela. Neste ano a ALN  procurou, por meio de vários documentos fixar estratégias, táticas e transmitir técnicas de guerrilha a toda sua estrutura a nível nacional.
Texto completo
Marighela, em seus documentos considerava que todos os grupos ou revolucionários isolados, que defendessem os princípios básicos da ALN , seriam considerados vinculados à organização, embora fossem livres para executar os atos revolucionários que planejassem.
As operações mais complexas, que exigissem um efetivo maior, seriam articuladas pela Coordenação, que planejaria a atuação em conjunto com outro grupo da própria ALN ou “em frente” com outras organizações terroristas.
   Criticava as organizações que buscavam evoluir na base do proselitismo e, pregava sua evolução, sustentada pela ação. Em maio , foi difundido o documento  “ O papel da Ação Revolucionária na Organização” ,onde se lia o seguinte:
(...) “ sendo nosso  caminho o da violência, do radicalismo e do terrorismo, os que afluem à nossa organização não virão enganados, e sim, atraídos pela violência que nos caracteriza.” (...)
 Em agosto, Marighela  difundiu “ O Minimanual do Guerrilheiro Urbano “ , que se tornou o livro de cabeceira  dos terrorista brasileiros e do mundo inteiro.
Em meados de 1969, o coordenador da ALN era  Joaquim Ferreira Câmara, o “ Toledo”, visto que Carlos Marighela viajava, com freqüência, para coordenar o estabelecimento de áreas estratégicas pelo interior  do país.
Estava estruturada e bem organizada a ALN que passaria a agir com grupos independentes entre si, mas que seguiam os princípios básicos estratégicos do minimanual escrito por Marighela, o ideólogo do terror.

ASCENSÃO TERRORISTA EM SÃO PAULO
No início de 1969, a ALN sofreria importantes perdas em São Paulo. Em 26 de janeiro, morria em tiroteio com a polícia um dos principais assessores de Marighela, o coordenador do Grupo Tático Armado ( GTA), Marco Antônio Brás de Carvalho, o “Marquito”, que foi quem metralhou o capitão americano Charles Chandler, na frente de seus filhos. Ainda em janeiro, foram presos Argonauta Pacheco da Silva, coordenador do curso de explosivos e João Leonardo da Silva Rocha, membro do mesmo Grupo Armado.
No início de maio, a ALN realizou uma série de ações violentas.
No dia 7/5/1969 foi assaltado a Agência de Suzano, da União de  Bancos Brasileiros. Durante a fuga, os assaltantes travaram intenso tiroteio com a polícia, com o saldo de 4 vítimas: morreu o investigador José de Carvalho, e ficaram feridos os civis Antônio Maria Comenda Belchior e Ferdinando Eiamini que passavam pelo local. O assaltante Takao Amano, ferido na coxa foi operado por Boanerges Massa na casa do casal Carlos Henrique Knapp e Eliane Toscano Zamikhoski, todos militantes da rede de apóio da ALN , em São Paulo.
Participaram desse assalto: Virgílio Gomes da Silva, Manoel Cyrillo de Oliveira, Aton Fon Filho, Takao Amano, Ney da Costa Falcão e João Batista Zeferino Sales Vani.
Ainda em maio, a ALN realizou um atentado a bomba na empresa “Allis-Chalmers” , na Av. Água Branca, e um assalto à Joalheria Majô, na Alameda Jaú.
No dia 27 de maio, com a finalidade de realizar uma ação que ao mesmo tempo buscava desmoralizar as forças de segurança,  aumentar o arsenal da organização e fazer propaganda da guerrilha, foi feita uma ação contra o 15º Batalhão da Força Pública de SP , na Avenida Cruzeiro do Sul.  Na ação morreu o soldado  Naum José Mantovani que se encontrava de guarda, fuzilado pelos terroristas, que feriram também o soldado Nicácio Conceição Pupo. Atingido na cabeça pelos disparos , o soldado Nicácio  teve o cérebro atingido e ficou com seqüelas serissimas.          Participaram da ação: Celso Antunes Horta , Vírgilio Gomes da Silva, Aton Fon Filho, Carlos Eduardo  Pires Fleury, Maria Aparecida da Costa e Ana Maria de Cerqueira César Corbisier.
Em 04 de Junho ,no assalto ao Banco Tonzan, na Avenida Penha de França, durante a fuga dos terroristas, o soldado da Força Pública de São Paulo  - FPESP -  Boaventura Rodrigues da Silva, foi morto a tiros e teve sua metralhadora roubada.
Na ação o terrorista  Francisco Gomes da Silva saiu ferido com um tiro nas costas. Depois de ser atendido na casa de Carlos Knapp, devido a gravidade do ferimento foi deixado pelos companheiros no hospital Boa Esperança, na estrada de Itapecerica da Serra. A equipe  médica de plantão , verificando que o ferimento era a bala, resolveu denunciar o fato à polícia. Foi , no entanto resgatado por Boanerges Massa , auxiliado por Eliana Toscano Zamikhoski e Paulo de Tarso Venceslau. Os três roubaram uma ambulância, renderam os médicos e retiraram o ferido , levando-o para a casa de praia da militante Sandra Brizola, em Santos.
Continuando a série de ações criminosa, a ALN realizou uma série de assaltos a bancos, supermercados, empresas de transporte coletivo e vários atentados a bomba.
No dia 19 de setembro, a ALN realizou mais uma ação de propaganda armada, desta feita contra a guarnição da rádio patrulha nº 21, que habitualmente permanecia estacionada no Conjunto Nacional , na Avenida Paulista, SP. A guarnição da RP era constituída de dois homens e nas suas proximidades ficava um guarda-civil do policiamento ostensivo. Por volta das 22horas, após saltarem do carro dirigido por Aton fon Filho , Virgílio Gomes da Silva, o comandante da ação, Denison Luis de Oliveira e Manoel Cyrillo de Oliveira Neto  dirigiram-se para a viatura como se fossem solicitar uma informação. Ao mesmo tempo, Takao Amano aproximava-se do guarda-civil.  Takao, num gesto desnecessário de prepotência rendeu o guarda e obrigou-o a colocar-se de joelhos à sua frente, humilhando-o, ao exigir que lhe pedisse clemência. A trinca que se ocupava da Rádio Patrulha ao imaginar ou pressentir uma tentativa de reação, disparou suas armas para o interior da viatura. O soldado da FPESP Pedro Fernandes da Silva , atingido por vários disparos , um deles na coluna, ficou aleijado. Denílson e Virgílio recolheram uma metralhadora e dois revólveres .38, enquanto Takao recolhia um revólver .38 do tripudiado guarda-civil.
Para complementar a “ação revolucionária”, os dois primeiros espalharam gasolina e incendiaram a Rádio Patrulha. Esta seria uma das últimas ações da ALN em São Paulo, no ano de 1969.

Outras ações da ALN em 1969
16/06 - Atentado a bomba nos elevadores da CBI ;
23/06 – Assalto à empresa de ônibus Viação Leste-Oeste;
26/06 – Atentado à bomba contra uma subestação da Light, em Piquete;
08/07 – Assalto à agência do Banco do Brasil, Santo André.
12/07 – Assalto simultâneo ao União de Bancos Brasileiros e à Caixa Econômica Federal, na Av. Guarapira, em Jaçanan;
15/07 – Primeiro assalto à Agência Bradesco na Rua Major Diogo;
24/07 – Assalto contra a União Cultural Brasil- estados Unidos, na Rua Oscar Porto;
Final de julho – assalto ao Supermercado Pão de Açúcar , no bairro Pinheiros;
18/08 – Assalto à Agência do Banco Comércio e Indústria, av. São Gabriel;
24/08 – Atentado a Bomba contra agência da Light;
24/08 – metralhada a vitrina da loja Mappin, que expunha material alusivo à semana do Exército;
29/08 – Assalto à Empresa Instrumental Berse Ltda, rua Agostinho Gomes;
06/09 -  Atentado a bomba no Palácio Episcopal; 
09/09 – Assalto à Agência do Banco Itaú-América, rua Pamplona;
22/09- Segundo assalto à Agência do Bradesco, na Rua Major Diogo;

23/01 - Vasculhando o Orvil - ALN - Capítulo V

 Pela editoria do site     www.averdadesufocada.comAtuação da Igreja junto à ALN / Guerra Psicológica
Em 1969, a  ALN cada vez mais se estruturava para expandir a guerrilha por todo território nacional e para isso contava com o apoio de setores do meio estudantil, operário e de  alguns membros   da Igreja.  Já dispunha de  uma rede  de atendimento médico, de uma casa de recuperação  no litoral, de área de homizio em Ribeirão Preto. Uma dessas bases de apoio era a casa do industrial  francês Jacques Emile Frederic Breyton,  na Rua Souza Ramos, 17, Vila Mariana, que era usada para reuniões do comando da organização e festinhas de confraternização.
Já era grande o número de militantes  que praticavam ações armadas (assaltos, atentados a bomba, “justiçamentos”, seqüestros) e, simpatizantes, que davam apoio aos subversivos  (esconderijo, entrega de correspondência, transporte de armas, tratamento de feridos, local para reuniões,  etc).
Entre essas  redes de apoio e  sustentação os  dominicanos do Convento das Perdizes desempenhavam importante papel .  O contato entre a ALN e os frades era feito por Paulo de Tarso Venceslau, que  acumulava as funções de coordenador do setor logístico  com  essa função. 
Frei Beto 
Frei Beto e a Subversão 
 Entre os dominicanos , Frei Beto era um  dos mais atuantes na rede de apoio à guerrilha.  Tinha livre trânsito entre algumas organizações subversivas ( Vanguarda Popular Revolucionária – VPR -,  Movimento Armado Revolucionário – MAR - e Aliança Libertadora Nacional – ALN-).  Bastante comprometido com a subversão,  ao ser preso um militante da VPR, Frei Beto,   por medida de segurança, abandonou sua  residência e   com o beneplácito  do  Provincial   da Ordem , Frei Domingos Maia Leite, foi transferido para o Seminário Dominicano Christo Rei, em São Leopoldo, no Rio Grande do Sul, onde logo Marighela lhe determinaria novas missões. Seria o  encarregado do esquema  de fuga e passagem de militantes clandestinos pela fronteira para o Uruguai.
O sistema funcionou. Frei Beto recebia ligações telefônicas  de São Paulo, feitas por Frei Fernando, avisando-o que ia ser contatado. Usando senhas combinadas, encontrava o militante em São Leopoldo e o alojava na Igreja da Piedade. De São Leopoldo era transportado para Santana do Livramento, fronteira com o Uruguai, de onde seguia para Montevidéu .
 Por lá, apoiados por Frei Beto, sairam do Brasil : fugitivos; militantes que iam fazer curso de guerrilha em Cuba; e guerrilheiros que iam manter contatos com outros militantes em países da América do Sul - Chile, Argentina -, para que novas operações fossem planejadas e realizadas na volta ao Brasil.
Com esse apoio foram retirados do país, entre outros: José Roberto Arantes Almeida, Carlos Henrique Knapp, Eliane Toscano Zamikhowski, Joaquim Câmara Ferreira, Ana Maria Soares Palmeira, Sebastião Mendes Filho e Arno Preiss. Uma operação dessas que não deu certo foi a de  Joseph Berthold Calvert  que foi preso na fronteira, em 26 de outubro, não conseguindo atingir o Uruguai.
Muitos foram os religiosos, ligados aos dominicanos, que se envolveram com a luta armada, entre eles, além dos já citados:
Frei Osvaldo
Frei Ivo
Frei Bernardo Catão
Frei Giorgio Calegari
Frei João Antonio de Caldas Valença
Frei Roberto Romano
Frei Tito de Alencar Lima
Padre Veríssimo
Padre Manoel Vasconcellos Valiente
Padre Marcelo Pinto Carvalheira
Seminarista Francisco Castro


 Mariguela
Ações psicológicas 
Marighela tentava despistar o financiamento vindo de Cuba, e justificava os recursos da organização, como conseguidos  unicamente por meio  de assaltos a bancos.
Usando a tática da guerra psicológica, com o objetivo de atemorizar a população e desmoralizar as forças de repressão, eram freqüentes os ataques a sentinelas de quartéis, viaturas e radiopatrulhas.  Embora esses soldados e policiais militares estivessem em dupla, apanhados de surpresa, era fácil desarmá-los, queimar as viaturas, tomar-lhes as armas  e humilhá-los na frente da população. Algumas vezes, num requinte de crueldade,  alguns   eram mortos, depois de desarmados.  A repercussão desses fatos, inexistentes naquela época, visava criar o medo e a demonstrar o poder da organização subversiva e a ineficiência  dos meios de repressão. Essas ações não tinham objetivo maior do que a propaganda  da luta armada.
 Bombas explodiam  frequentemente. No dia 25 de junho,  foi colocada uma bomba na barraca do Exército, instalada na feira do livro, na Praça Saens Peña, no Rio de Janeiro. Felizmente, para  a multidão de inocentes que visitava a feira, por uma falha no mecanismo, a bomba não detonou.
Continuando a guerra psicológica, em 15 de agosto, um comando da ALN, de doze elementos, tomou de assalto os transmissores da Rádio Nacional, em Piraporinha, no município de Diadema, SP. Nessa ação, além de  tomarem o revólver do guarda  Raymundo Salustiano de Souza,  espancaram o operador chefe Libório Schuck. Na ação  os terroristas colocaram no ar  uma fita  gravada  por Gilberto Luciano Beloque, com um manifesto de  Marighela. Na mensagem, Marighela conclamava os militantes para o prosseguimento  e intensificação das ações terroristas na cidade. Segundo sua teoria, se as tropas se mantivessem ocupadas  desviariam a atenção da zona rural, onde a guerrilha começava a ser implantada.
Ainda em agosto, a vitrine do Mappin  foi metralhada , por expor uma  homenagem ao Exército.
Prosseguindo suas atividades  de guerra psicológica, a ALN  enviou às autoridades de São Paulo, dias antes  do 7 de setembro, um manifesto exigindo que fossem suspensas todas as solenidades  da Semana da Pátria no Vale do Anhangabaú. A organização ameaçava realizar atos terroristas contra a população, responsabilizando as autoridades pelo que ocorresse.
Era raro o dia em que, em São Paulo , uma ou outra organização não praticasse atos de terrorismo ( ataques a ônibus , viaturas militares, depredação de bens públicos, atentados a bombas , panfletagem armada  em favelas, universidades, etc.).  A população , acostumada com a tranqüilidade daquelas décadas, estava atemorizada.
Os jornais,  defrontando-se com essa nova situação de insegurança, publicavam editoriais , como o  transcrito abaixo :
“Consciência Geral
O desvario terrorista não mede conseqüências. Pouco lhe importa as vítimas que vai deixando pelo caminho, desde que atinja os seus objetivos imediatos de precário rendimento contestatório. Este é um dos seus aspectos mais cruéis: a insensibilidade com que, nos seus transbordamentos, envolve, de repente, o homem de rua, o transeunte pacato, a mãe que leva o filho consigo.
A ação terrorista não se limita a entrechoques eventuais com agentes da lei. É uma guerra declarada à sociedade, na medida em que, criando um clima geral de insegurança, arrisca vidas anônimas.
O repúdio da família brasileira ao terrorismo, manifestado desde seus primórdios no País, não a isenta, infelizmente, de uma participação maior no quadro geral das responsabilidades convocadas para combatê-lo. Da mesma forma, não a impede de, eventualmente, sofrer na própria pele os efeitos dessa luta.
No momento em que as ruas se transformam em palco de escaramuças sangrentas, com o sacrifício até de crianças e mães de família habituadas a uma paz de espírito agora ameaçada, cabe a todos nós reforçar conceitos de deveres e responsabilidades em função da tranqüilidade coletiva. A consciência geral terá de despertar com urgência para a triste constatação de que está diante de uma ação alucinada de grupos minoritários que requer medidas especiais de resguardo.
A família brasileira precisa colocar-se à altura desse instante inquietador que não deve e não pode perdurar, não obstante a soma atual de maus presságios. E somente será digna dessa nova convocação quando começar no ambiente dos seus lares a tarefa geral de pacificação dos espíritos e desarme das atitudes radicais fundamentadas no ódio.”
Jornal do Brasil - 14/03/1970.

10/02 - VASCULHANDO O ORVIL - ALN - Capítulo VI

 Pela editoria do site
Expansão da ALN -  1969
Em 1969 a ALN já atuava  no Rio de Janeiro (Guanabara), em Ribeirão Preto, no Ceará, Recife , Goiás e Distrito Federal. O projeto da organização era expandir os focos de guerrilha por todo o Brasil.  Em Ribeirão Preto e no Ceará, inicialmente, os grupos que aderiram à ALN, não obtiveram muito sucesso. Em Ribeirão Preto, alguns atentados a bomba e assaltos a banco foram frustrados. O grupo não conseguiu desenvolver nenhuma ação de vulto e no início de novembro, com prisões em São Paulo, Ribeirão e cidades vizinhas, foi desbaratado. No Ceará a ALN estruturou-se a partir da dissensão de militantes do PCB. Esse grupo, inicialmente,  também, não obteve muito sucesso.
Texto completo
 
Atuação da ALN em Brasília e Goiânia
Desde o segundo semestre de 1968, Edmur Péricles de Carvalho foi enviado  para o Distrito Federal, por Marighela, com a finalidade de ser o responsável pelo levantamento de áreas para implantação da guerrilha rural nos estados de Goiás e Minas Gerais. No início de 1969, os levantamentos no campo já estavam prontos e Edmur aguardava instruções da direção da ALN para o prosseguimento das atividades ligadas à guerrilha rural.
Em agosto de 1969, Jeová Assis Gomes foi enviado de São Paulo a Brasília,  por Joaquim Câmara Ferreira, “Toledo” - segundo homem da organização -, para contatar com José Carlos Vidal. Nesses contatos ficou decidido o deslocamento do grupo para Goiânia e Anápolis. A idéia inicial era formar uma rede de apoio para a futura guerrilha rural.
Marighela, enviou dinheiro e Jeová arrendou a Fazenda Imbira,  na rodovia Goiânia - Neropólis, onde o grupo realizava treinamento de tiro e de guerrilha.
A adesão do soldado do Exército Paulo César Lopes da Silva Rodrigues ao grupo que atuava em Brasília, rendeu dividendos à ALN. Ao desligar-se  do Batalhão de Polícia do Exército de Brasília, Paulo César retirou duas metralhadoras INA , que foram aumentar o arsenal da organização subversiva. Foram entregues, também por ele, à organização subversiva, uma relação de nomes de oficiais do BPEB e um croquis da unidade.
 Em setembro e outubro, em função das investigações sobre o desaparecimento do menor Carlos Gustavo do Nascimento, foi descoberta a trama subversiva e foi  desmantelada a ALN em Brasília e em Goiânia. Ficou constatado que o menor estava, em Brasília, na casa de um diplomata que, na ocasião, servia na embaixada do Brasil na Romênia. Na realidade o menor estava homiziado nessa casa , que  servia de “aparelho” para a ALN. Com as diligências foram presos Marcos Estelita Lins de Salvo Coimbra, Gastão Estelita Lins de Salvo Coimbra,   Benedito José Cabral e Ricardo Moreira Pena. O grupo preso tinha em seu poder uma metralhadora INA e 10 revólveres de diversos calibres, que eram utilizados nos treinamentos, além de munição.
Esse fato ocasionou outras prisões  em Brasília. Dentre os presos, apenas um jornalista - Flávio Tavares - e um pedreiro. O restante, jovens universitários egressos da UNB. Com eles, foi apreendido farto armamento O plano do grupo era desencadear ações de guerrilha no norte de Goiás, enquanto São Paulo era mantido como área prioritária para as ações de guerrilha urbana.

As ações da ALN na Guanabara ( atual Rio de Janeiro )
No Rio de Janeiro ( Guanabara), os militantes da ALN iniciaram a preparação para a guerrilha. Do início do ano até abril, limitaram-se a treinamentos e distribuição de textos  de Marighela.
 Em função da ligação que tinham com o líder da ALN, João Batista e Zilda de Paula Xavier Pereira eram considerados os coordenadores da organização na Guanabara.
Em março, um grupo de estudantes, liderados por Carlos Eduardo Fayal de Lira,  resolveu ingressar na ALN. Faziam parte desse grupo: Ronaldo Dutra Machado, Newton Leão Duarte, Flávio de Carvalho Molina, Frederico Eduardo Mayr, Jorge Wilson Fayal de Lira e Jorge Raimundo Júnior.
A primeira ação da ALN na Guanabara foi um assalto ao Cine Ópera, em Botafogo, em 27 de abril de 1969. A  tentativa foi  frustrada pelo guarda Antônio Guedes de Moraes que reagiu , dando início a intenso tiroteio. Surpreendidos com a reação, os  cinco terroristas  fugiram sem conseguir efetuar o roubo, deixando o guarda seriamente ferido.  
O fracasso da ação provocou a ida de Frei Oswaldo Augusto de Rezende Júnior ( “Cláudio”) , orientador dos dominicanos em São Paulo, para o Rio de Janeiro, com a finalidade de estruturar a organização. Com o reforço de Fayal e o assessoramento de frei Oswaldo, a ALN/GB reiniciou suas atividades. Já mais preparados, no dia 12 de junho, assaltaram a agência Uruguai, do Banco Boa Vista. O levantamento, a título de ensinamento, foi feito pelo próprio Frei Osvaldo, assessorado por Valentim Ferreira. O assalto, comandado por Domingos Fernandes, foi um sucesso.
Confiantes, a partir dessa ação, a ALN/GB realizou os seguintes assaltos no ano de 1969:
08/07 -  A agência São Cristóvão do Banco de Crédito Territorial, Rua Bela Vista, 597;
12/07 -  Agência de automóveis Novocar, Rua Uruguai, 234;
29/07  - Agência Sans Peña do Banco do Estado de Minas Gerais, Rua Carlos de Vasconcelos;
Faziam parte do bando assaltante: Dulce Chaves Pandolfi, Carlos Roberto Nolasco Ferreira e Nelson Luis Lott de Morais Costa.
 As prisão de Newton Leão Duarte gerou uma crise de insegurança na regional da ALN. O caminho escolhido foi a clandestinidade. O grupo conseguiu um “aparelho” na rua Mourão do Vale, em São Cristóvão , que além de servir de esconderijo para os militantes, era usado como depósito de armas da organização.
No rastro da ALN, a polícia chegou a Zilda de Paula Xavier Pereira, que, presa e posteriormente internada no Hospital Pinel, acabou fugindo para o exterior.
Os militantes, “ queimados “ em suas áreas de atuação eram constantemente  transferidos, para não serem presos. Do Rio foram, transferidos para São Paulo: Sebastião Mendes Filho e Joseph Berthold Calvert. Este último, posteriormente, foi transferido para  São Leopoldo, de onde seria retirado do país, mas foi preso na fronteira com o Uruguai. De São Paulo vieram para o Rio, Aton Fon Filho e Maria Aparecida Costa.
"As ações de violência , praticadas por 29 organizações diferentes, atemorizavam a população, mas  já não causavam o impacto desejado, pela freqüência com que aconteciam.
Franklin de Souza Martins, da direção da Dissidência da Guanabara (DI/GB), propôs uma ação inédita. Sugeriu um seqüestro.
Estudados os alvos, concluiu-se que o de maior repercussão seria o de um embaixador. A idéia foi logo aprovada por Cid Queiroz Benjamin, da Frente de Trabalho Armado (FTA), um dos setores da DI/GB.
Após reuniões, decidiram que o alvo ideal, que teria repercussão nacional e internacional, seria o embaixador dos EUA, Charles Burke Elbrick. O objetivo principal do seqüestro, além de destacar a guerra revolucionária por meio da propaganda e de tentar a desmoralização do governo, era libertar os principais líderes do movimento estudantil que se encontravam presos.
Franklin de Souza Martins estivera preso com Vladimir Gracindo Soares Palmeira (Marcos), José Dirceu de Oliveira e Silva (Daniel), militante da ALN, e Luíz Gonzaga Travassos da Rosa, militante da AP.
A direção da DI/GB, após os planejamentos iniciais, concluiu que seria necessária a participação de outra organização, com maior experiência, para apoiá-la nessa empreitada. A ALN, dispondo de gente com treinamento em Cuba, já que os seus primeiros militantes haviam regressado ao Brasil - tendo realizado cerca de trinta assaltos a bancos e carros pagadores, duas dezenas de atentados a bombas, roubos de armas, “justiçamentos”, ataques a quartéis e radiopatrulhas -, foi considerada pela direção da DI/GB como a parceira ideal para tão audaciosa ação. Ajudava muito na decisão pela ALN a figura de Marighella que, pelos seus textos, incentivando a iniciativa e a violência, os levava a supor que conseguiriam o seu apoio para o seqüestro.
Em julho de 1969, Cláudio Torres da Silva (Pedro ou Geraldo), também membro da FTA, recebeu a incumbência da direção da DI/GB de contatar com Joaquim Câmara Ferreira (Toledo ou Velho), segundo homem na hierarquia da ALN, para conseguir o seu apoio. Toledo aprovou a idéia imediatamente.
O período escolhido foi a Semana da Pátria, para esvaziar as comemorações do Sete de Setembro.
 No dia 4 de setembro, a nação  foi surpreendida  com o primeiro seqüestro  no país. “Em frente” com a Dissidência da Guanabara - DI/GB , que depois do seqüestro passaria a chamar-se MR-8  a ALN  praticaria o primeiro seqüestro de  um  embaixador. O escolhido Charles Burke Elbrick, dos Estados Unidos da América." (Trecho do livro A Verdade Sufocada)
O objetivo foi plenamente atingido. A imprensa nacional e estrageira deu grande cobertura ao fato.
No dia 9 de setembro a ALN realizou mais uma ação audaciosa para “expropriação”  de armas. Nesse dia, em dois Volkswagen, a ALN atacou dois soldados da Polícia Militar do Estado da Guanabara ( PMEG) que armados de metralhadora , patrulhavam as dependências da TV Excelsior. Rendidos os soldados Sérgio Rodrigues Teixeira e Hélio Guimarães Monteiro tiveram suas metralhadoras roubadas e incorporadas ao arsenal da ALN. O soldado Sérgio Rodrigues Teixeira foi ferido na cabeça, com violenta coronhada, desferida por Ronaldo Dutra Machado.
Em agosto, Ronaldo Dutra Machado recebeu de Marighela a incumbência  de fazer contato com um grupo em Recife e cooptá-lo para a ALN. O contato foi feito com Francisco  Vicente Ferreira, o líder do grupo, e o convenceu a atuar dentro da orientação de Marighela. Ronaldo voltou ao Rio , mas continuou como coordenador das atividades no nordeste. Ainda em 1969,  a ALN começou a estruturar-se em Recife, tendo como coordenador Ronaldo Dutra Machado  .
Em outubro novo contato foi feito,  no nordeste, por Ronaldo. Os contatos foram feitos com Rholine Sonde Cavalcanti Silva, Luciano Almeida , Perly Cipriano e Maurício Anísio  de Araújo. Como o grupo aumentava,  Ronaldo se estabeleceu em Recife, junto com Dulce Chaves Pandolfi para impulsionar os atos criminosos da organização e juntamente com o grupo assaltou a agência do Banco Financial, em Jaboatão.
No Rio, foi presa Maria Aparecida Costa, em companhia de Valetim Ferreira. Valetim, estudante de 18 anos, guardava em sua casa, na rua das Palmeiras 77, casa 4 , um fuzil Mauser , munição, um mimeógrafo e vários estênceis prontos para rodar. Era o “aparelho “ de imprensa da organização
Em decorrências dessas prisões, foram presos Aton Fon Filho e Linda Tahyah. Em dezembro foram presos: Tânia Regina Rodrigues Fernandes, Pedro Henrique e Alfredo de Miranda Pacheco ( irmãos, que facilitavam a saída, de militantes que, com nomes falsos , iam    fazer curso de guerrilha em Cuba.
A ALN, em 1969,  praticou cerca de 30 assaltos somente no Rio de Janeiro . Entre eles os seguintes:
27/08 - Agência Catete do Banco Novo Mundo;
25/09 – Agência Bonsucesso do Banco de Crédito Territorial;
15/10 - Agência da Rua Bela vista do Banco da Bahia;
29/11 – Firma Construtora Presidente, Rua Mayrink Veiga
05/12 – Agência Castelo do Banco Bordalo Brenha; e
16/12 – Agência Méier do Banco da Bahia.


Fontes: Orvil

04/03 - VASCULHANDO O ORVIL - ALN - Capítulo VII

 ALN – As “quedas” em São Paulo
Pela editoria do site

O início de 1969 foi de prisões e "quedas". No dia 07/05, dia em que assaltava a União de Bancos  Brasileiros, em Suzano, a ALN sofreria  três “quedas” . Seriam presos, na esquina das ruas Mirassol,  em São Paulo, os militantes Rolando Fratti, Alexandre Malavazzi e José Jofre de Farias.
Texto completo
A partir de agosto, a ação dos Órgãos de Segurança atingiria profundamente a organização, mas ela continuava com suas ações.
Em agosto, o  grupo de José Wilson Lessa Sabag assaltou o Curso Objetivo, de onde levou 8 mil cruzeiros novos em dinheiro e 12 mil em cheques, que foram depositados na conta de "Luiz Rodolfo Goldman" (nome falso de  Antenor Meyer). Para verificar se os cheques haviam sido compensados, e se a conta falsa funcionava, no início de setembro, os militantes resolveram comprar  um gravador, na loja Lutz Ferrando  na esquina das ruas São Luiz com Ipiranga.
A mercadoria ficou retida na loja, até o cheque de "Luiz Rodolfo Goldman" ser descontado, podendo ser retirada no dia seguinte.
O que eles temiam aconteceu: a loja foi comunicada de que os cheques depositados na conta eram roubados e que se os compradores voltassem para retirar a mercadoria , a polícia deveria ser avisada.
Confiando na sorte, no dia seguinte, em um Volks, Antenor Meyer, José Wilson Lessa Sabag , Francisco José de Oliveira e Maria Augusta Thomaz resolveram ir buscar o gravador. José Wilson e Francisco entraram na loja. Antenor ficou ao volante. Maria Augusta, de pé na calçada. Três guardas já estavam nas proximidades, em vigilância, aguardando a possível chegada dos  assaltantes. Dizendo que ia apanhar o gravador no depósito o vendedor alertou os guardas.
 Ao dar voz de prisão aos terroristas, foi iniciado intenso tiroteio. O guarda civil João Szelacsok Neto ficou ferido na coxa e o funcionário  da Lutz Ferrando,  José Getúlio Borba, veio a falecer em conseqüência dos ferimentos. Maria Augusta fugiu  a pé. Sabag, ferido no braço, e Francisco  conseguiram entrar no carro dirigido por Antenor que arrancou rapidamente em direção à rua  da Consolação.
Retidos em um sinal vermelho, logo  foram alcançados. Os três, abandonaram o carro. Francisco conseguiu fugir do local. Sabag e Antenor, sempre perseguidos pelos guardas, que já tinham como reforço um soldado da Força Pública do Estado de São Paulo, correram para o edifício  da Rua Epitácio Pessoa, nº 162, e se refugiaram no apartamento 46 , onde morava  Roberto Ricardo Cômodo, apoio de Antenor.
Com o prédio cercado,  Antenor propôs a Sabag que se entregassem, não sendo atendido. José Wilson Lessa  Sabag, fanatizado pelas idéias de Marighela, resolveu resistir até a morte, como sugeria o Mini Manual do Guerrilheiro Urbano. Roberto Cômodo tentou fugir, descendo as escadas. Foi preso sem resistência. Antenor tentou a fuga passando de um apartamento para outro. Desesperado, ao chegar ao 7º andar, tentou escapar descendo por um encanamento de água existente do lado de fora do prédio. No 4º andar, não agüentando o peso do corpo, estatelou-se na área interna, sendo preso com uma perna e a bacia fraturada. José Wilson, encurralado, recebeu a tiros e matou o soldado da FPESP João Guilherme de Brito, quando o apartamento foi invadido. Ainda tentou furar o cerco, atirando para todos os lados, sendo morto no local.
Carlos Eduardo Pires Fleury assumiu o controle do grupo de ação de José Wilson Lessa Sabag.
 Mesmo com as "quedas" e a morte de Sabag, a violência não podia parar. No dia seguinte, 04/09/1969, já estava planejado um atentado a bomba, de grande vulto, que jamais se conseguiu saber onde seria executado. Pela manhã, bem cedo, Ishiro Nagami , que se havia ligado ao grupo de Sabag, ao conduzir uma poderosa bomba no Volkswagen azul, placa 44-52-77, para mais um atentado, foi surpreendido com a explosão do petardo, morrendo estraçalhado, junto a outro terrorista que, desintegrado com a explosão, somente viria a ser identificado, tempos depois, como  Sérgio Roberto Correa.
A explosão ocorreu às 05.45 horas, em frente ao nº 758 da Rua da Consolação, esquina com a Rua Maria Antônia.
O final de setembro seria melancólico para a ALN, em São Paulo. No dia 24, elementos do Grupo Tático Armado  (GTA) foram surpreendidos na Alameda Campinas, quando iam apanhar dois carros roubados para praticar ações. A resistência à prisão foi violenta, como de costume. Após cerrado tiroteio foram presos, feridos, Takao Amano, Luís Augusto Fogaça Balboni e Carlos Lichtszejn. Luís Fogaça , levado ao Hospital das Clínicas, não resistiu aos ferimentos e faleceu .
Em conseqüência dessas prisões, em uma semana, foi desbaratado o GTA  da ALN e parte do setor de apoio. Foram presos:  João Katsonomu Amano, Francisco Gomes da Silva, Antônio Carlos Fon e Maria Aparecida dos Santos. O coordenador do GTA, Virgílio Gomes da Silva, reagiu  à prisão e veio a falecer, em conseqüência dos ferimentos.
Celso Antunes Horta  foi preso no dia 29 de setembro ao “ cobrir ponto” com Francisco Gomes da Silva. Também, em  30 de setembro, foram presos por indicação de Francisco: Ilda Martins da Silva, e Manoel Cyrillo de Oliveira Netto.
Pouco a pouco, foram "caindo". No dia 30 de setembro foi preso Carlos Eduardo Pires  Fleury. O dono da casa onde ele se homiziava, José Paulo Reis, Oficial R2, também foi preso e confessou que a casa era um "aparelho" da ALN, onde eram guardadas armas e munições, além de esconder militantes. Nesse mesmo dia foram presos José Luiz Novaes Lima e Gontran Guanaes Netto, ambos do setor de apoio.
Ainda no dia 30 de setembro, Márcio Beck  Machado, do setor de apoio, foi preso  na Rua Maria Antônia , em frente à Universidade Mackenzie. Quando era conduzido para a viatura policial, três elementos que faziam sua cobertura, começaram um intenso tiroteio, que feriu o agente Cláudio Ernesto Canton, que não resistiu aos ferimentos. Aproveitando a confusão e o momento de atendimento ao agente, Márcio e os demais militantes aproveitaram para fugir.
No dia 1º de outubro  foram presos Paulo de Tarso Venceslau, coordenador do setor de apoio, e Abel Bella.
Ainda em outubro também "cairam" : Carlos Alberto Lobão da Silveira Cunha e Denílson Luiz de Oliveira, remanescentes do grupo de Takao Amano.
Essas ações fulminantes dos Órgãos de Segurança resultaram na prisão de 19 terroristas e no “ estouro” de 12 “aparelhos”. O grupo de ação de Takao Amano foi todo preso. O grupo de Carlos Eduardo Pires Fleury, sem seu líder, também sofreu muitas “quedas”. Outro grupo desbaratado foi o de  Vírgilio Gomes da Silva, que com sua morte ficou sem sua indiscutível liderança. Assim , em 1969, a ALN , bastante desestruturada em São Paulo, levou alguns militantes como Aton Fon Filho e Maria Aparecida da Costa a fugirem para o Rio de Janeiro, o que iria reforçar bastante a estrutura da  ALN naquela cidade.
 Vários terroristas dos GTA de São Paulo, por problemas de segurança devido às últimas “quedas”, fugiram para o Uruguai.
Esses elementos, após esbanjarem o dinheiro dos assaltos praticados, hospedando-se em hotéis de luxo,  e fazendo turismo, dirigiram-se para Buenos Aires, onde em 04/11/69, seqüestraram o Boeing 707 da Varig, prefixo PP-VJX, que fazia o vôo Buenos Aires - Santiago (Chile).
Com nomes falsos, chefiados por Adalberto Mortati, 8 terroristas, entre eles Rui Carlos Vieira Berbet, Maria Augusta Thomaz, Lauriberto José Reys e Marcílio César Ramos Krieger obrigaram o piloto a desviar o avião para Cuba. Durante o seqüestro ameaçaram os passageiros com armas e bombas e distribuíram panfletos.
Em Cuba, aproveitaram para fazer cursos de guerrilhas, proporcionado por Fidel Castro aos militantes de organizações subversivas. Assim voltariam ao Brasil mais preparados para continuar sua luta insana.
Com as “quedas” do segundo semestre de 1969, foi desmantelado o restante do setor e chegou-se aos frades dominicanos. Foram presos: frei Fernando e frei Ivo, frei Tito e frei Jorge; Carlos Guilherme penafiel, ex-repórter da Folha da Tarde, responsável pelas fotos para documentos falsos; João Antônio Caldas Valença , ex- frei Maurício, responsável pelo setor de imprensa; o casal Luis Roberto Clauset e Rosemeire Nogueira Clauset, ele ex-diretor da Folha da Tarde;  Roberto de Barros Pereira, engenheiro do metrô, que registrou um carro da organização em seu nome; Manoel Carlos Guimarães Morais, engenheiro, que emprestou o carro para levar Joaquim  Câmara, Ferreira "Toledo" ao Uruguai, depois do seqüestro do embaixador americano; e Genésio Homem de Oliveira, que emprestava sua casa para reuniões de “Toledo” e escondia terroristas. Os dominicanos também entregaram o esquema de fuga para o Uruguai, propiciando a prisão de frei Beto no Rio Grande do Sul.
Mas a perda pior, da ALN e da própria subversão, de um modo geral, foi a morte Carlos Marighela, narrada no  Capítulo VIII. Marighela seria substituído no comando por Joaquim Câmara Ferreira, " Toledo" . A ALN , com novos elementos, logo voltaria a atuar com força total.

07/04 - Vasculhando o Orvil - ALN - Capítulo VIII

 Carlos Marighela, o ideólogo do terror - Pela Editoria do Site
Carlos Marighela nasceu em Salvador, Bahia, em 05/12/1911. Sua trajetória revolucionária remonta à década de 30. Em 1932 ingressou na Juventude Comunista e na Federação Vermelha dos Estudantes. Participou ativamente da Intentona Comunista. Em 1936 abandonou o curso de engenharia e, cumprindo ordens do partido, foi para São Paulo reorganizar  o Partido Comunista Brasileiro - PCB.
Texto completo
Em 1939, foi preso pela terceira vez e encaminhado para Fernando de Noronha. Na prisão, dava aulas de formação política aos detentos.
Em 1945, a anistia, assinada por Vargas, devolveu a liberdade aos presos políticos. Marighela, nesse ano, foi eleito deputado federal. No governo Dutra o Partido Comunista voltou à ilegalidade e passou a agir clandestinamente. Em 7 de janeiro de 1948, os mandatos dos parlamentares do PCB foram cassados.
Na clandestinidade, de 1949 até 1954, Marighela atuou na área sindical, aumentando a influência do partido, sendo incluído na Comissão Executiva e no Secretariado Nacional, órgãos dirigentes do PCB.
No Manifesto de Agosto de 1950, Marighela já pregava a luta armada, conduzida por um Exército de Libertação Nacional. Como membro da Executiva chefiou a primeira delegação de comunistas brasileiros à China, em 1952. Ao voltar, passou a trabalhar as massas para preparar a futura revolução brasileira.  no país. Insistiu na tese da luta armada e na formação de um exército de libertação nacional, tendo como modelo as idéias de Mao Tsé-tung e o Exército Popular Chinês, que promoveu a revolução de 1949
O passo seguinte seria a penetração no meio estudantil. Para isso, Marighela infiltrou-se, por meio de contatos, na Faculdade de Direito do Rio de Janeiro, onde doutrinava professores e alunos. As sementes estavam sendo semeadas, era só aguardar a colheita.
A influência da revolução cubana, que passou a servir de modelo para muitos comunistas, contrariava as posições do Movimento Comunista Internacional e do próprio PCB, mas encantava revolucionários antigos, como Marighela e outros que, atuando desde a década de 30, não viam como conquistar o poder com uma luta de longo prazo. A tática de Fidel e Che Guevara, defensores da estratégia foquista – pequenos focos guerrilheiros -, passou a ser o modelo ideal para o Brasil.
Após a Contra-Revolução de 1964, Marighela foi preso em um cinema, no Rio de Janeiro. Solto por um habeas-corpus, impetrado por Sobral Pinto, passou a pregar abertamente a adoção da luta armada, doutrinando operários e estudantes.
Em julho de 1967, foi convidado, oficialmente, para participar da 1ª Conferência da Organização Latino-Americana de Solidariedade (OLAS), onde se discutiria um caminho para a difusão da luta armada no continente.
Desautorizado pelo partido e contrariando as linhas de ação adotadas pelo PCB, Marighela embarcou para Havana com passaporte falso. O evento reuniu revolucionários do mundo inteiro. Na ocasião, o slogan era “Um, dois, três, mil Vietnames”, outro exemplo de guerrilha que dera certo.
Estando Marighela em Havana, o PCB enviou um telegrama desautorizando sua participação e ameaçando-o de expulsão.
Em resposta ao telegrama, em 17 de agosto de1967, Marighela enviou uma carta ao Comitê Central do PCB, rompendo definitivamente com o partido. Em seguida, em outra carta, deu total apoio e solidariedade às resoluções adotadas pela OLAS. Nesse documento ele escrevia:
“No Brasil há forças revolucionárias convencidas de que o dever de todo o revolucionário é fazer a revolução. São estas forças que se preparam em meu país e que jamais me condenariam como faz o Comitê Central só porque empreendi uma viagem a Cuba e me solidarizei com a OLAS e com a revolução cubana. A experiência da revolução cubana ensinou, comprovando o acerto da teoria marxista-leninista, que a única maneira de resolver os problemas do povo é a conquista do poder pela violência das massas, a destruição do aparelho burocrático e militar do Estado a serviço das classes dominantes e do imperialismo e a sua substituição pelo povo armado.”
Terminada a conferência, Marighela ficou alguns meses em Cuba com a certeza do apoio de Fidel a um foco guerrilheiro no Brasil. Em fins de novembro foi expulso do PCB.
De volta ao Brasil, incentivou a prática de assaltos, seqüestros e atentados a bomba. Numa audaciosa ação, seus asseclas ocuparam a Rádio Nacional no Rio de Janeiro, onde colocaram uma gravação no ar, conclamando os revolucionários do Brasil, onde quer que estivessem, a iniciar as ações revolucionárias.
Logo depois, a partir de setembro de 1967, Marighela iniciou o envio de militantes para curso de guerrilha em Cuba. Na primeira leva - o chamado “I Exército da ALN” - seguiram: Adilson Ferreira da Silva (Miguel); Aton Fon Filho (Marcos); Epitácio Remígio de Araújo (Júlio); Hans Rudolf Jacob Manz (Juvêncio ou Suíço); José Nonato Mendes (Pele de Rato ou Pará); Otávio Ângelo (Fermin); Virgílio Gomes da Silva (Carlos).
Marighela criou, juntamente com Joaquim Câmara Ferreira, o Agrupamento Comunista de São Paulo (AC/SP). O AC/SP ou “Ala Marighela” expandia-se e atuava em vários estados. As idéias de Marighela encontram no meio estudantil campo fértil. Em pouco tempo, a Ala ganhou adeptos e várias lideranças surgiram durante as agitações do movimento estudantil. Logo depois, estabeleceu contato com Mário Roberto Zanconato, líder do Grupo Corrente em Minas Gerais. Em Brasília, Flávio Tavares, que já conhecia Marighela, apresentou um membro da Corrente, “Juca”, a George Michel Sobrinho, que passaria a ser o contato do AC/SP com os grupos de Brasília. A partir daí, o movimento estudantil de Brasília passou a agir pelas normas de Marighela.
Esse grupo, ainda em 1968, realizou treinamento de guerrilha (tiros de revólveres e metralhadora INA e experiências com explosivos) nas proximidades do Rio São Bartolomeu. O AC/SP atuava também no Ceará e em Ribeirão Preto.
Outras adesões viriam. No convento dos dominicanos, na Rua Caiubi, nº 126, no bairro de Perdizes, São Paulo, vários religiosos aderiram ao AC/SP. A  adesão dos dominicanos ao AC/SP e depois à ALN foi total. Eles seriam um apoio importante para a ALN na guerrilha urbana e rural.
Luís Mir, em seu livro A Revolução Impossível, Editora Best Seller, página 299, transcreve as seguintes palavras de  Frei Lesbaupin  que confirmam a intenção desse apoio:
"A Igreja e os dominicanos deveriam entrar no projeto revolucionário de forma organizada. Seríamos a linha de apoio logístico para a guerrilha rural. Na cidade, esconderíamos pessoas, faríamos transferências de armas e dinheiro.”
Em meados de 1968, receberam a primeira missão dada por Marighela: levantamento na Belém-Brasília, procurando áreas estratégicas para instalar focos de guerrilha.
Marighela pregava:
“O princípio básico estratégico da organização é o de desencadear, tanto nas cidades como no campo, um volume tal de ações, que o governo se veja obrigado a transformar a situação política do País em uma situação militar, destruindo a máquina burocrático- militar do Estado e substituindo-a pelo povo armado. A guerrilha urbana exercerá um papel tático em face da guerrilha rural, servindo de instrumento de inquietação, distração e retenção das forças armadas, para diminuir a concentração nas operações repressivas contra a guerrilha rural.”
"O terrorismo é uma arma a que jamais o revolucionário pode renunciar"
"Ser assaltante ou terrorista é uma condição que enobrece qualquer homem honrado"
Apoiado pela chegada do “I Exército da ALN”, treinado em Cuba, Marighela liderou vários assaltos e atentados na área de São Paulo, ainda em 1968. Intensificaram-se a seguir os atos de terror: atentados a bomba, assaltos a banco, seqüestros, assassinatos, “justiçamentos”, ataques a sentinelas e radio-patrulhas, furtos e roubos de armas dos quartéis.
Em 1969, Marighela difundiu o Minimanual do Guerrilheiro, de sua autoria, que passou a ser o livro de cabeceira dos terroristas brasileiros. O livreto foi traduzido em duas dezenas de idiomas e usado por terroristas do mundo inteiro. As Brigadas Vermelhas, na Itália, e o Grupo Baader-Meinhoff, na Alemanha, seguiam seus ensinamentos.
Claire Sterling, em seu livro, A Rede do Terror - A Guerra Secreta do Terrorismo Internacional, editora Nórdica, referiu-se à importância do Minimanual de Marighela em várias páginas de sua obra. Desse livro, transcrevo alguns textos onde ela se refere ao Minimanual:
“... não matam com raiva: esse é o sexto dos sete pecados capitais contra os quais adverte expressamente o Minimanual de Guerrilha Urbana de Carlos Marighela, a cartilha-padrão do terrorista. Tampouco matam por impulso: pressa e improvisação o quinto e sétimo pecados da lista de Marighela. Matam com naturalidade, pois esta é “a única razão de ser de um guerrilheiro urbano” segundo reza a cartilha. O que importa não é a identidade do cadáver, mas seu impacto sobre o público.”
“... em primeiro lugar, escreveu Marighela, o guerrilheiro urbano precisa usar a violência revolucionária para identificar-se com causas populares e assim conseguir uma base popular. Depois:
O governo não tem alternativa exceto intensificar a repressão. As batidas policiais, busca em residências, prisões de pessoas inocentes tornam a vida na cidade insuportável. O sentimento geral é de que o governo é injusto, incapaz de solucionar problemas, e recorre pura e simplesmente à liquidação física de seus opositores.”
Morte de Marighela
Marighela começou a cair  com a prisão de um militante de sua organização, preso no dia 1º de outubro. Os dados fornecidos por ele coincidiam com informações prestadas por outro militante da VPR , que, em março, denunciara  a participação de Frei Carlos Alberto Libânio Christo ( Frei Beto), da Ordem Dominicana, como integrante da organização terrorista.
Marighela foi morto na noite do dia 4 de novembro de 1969, dentro de um carro, na Alameda Casa Branca, zona nobre de São Paulo.
O convento dos dominicanos protegia também membros de outras organizações clandestinas como a VPR, o MR-8 e a ALN. Marighela os usava como contatos. Os dominicanos marcavam encontros em lugares preestabelecidos, em “pontos” (contatos) na Alameda Casa Branca. Faziam parte do esquema o frei Fernando de Brito e o frei Ives do Amaral Lesbaupin.
Suspeitas sobre o convento puseram-no em observação. O telefone do mesmo passou a ser monitorado.
Frei Fernando e frei Ivo foram ao Rio e combinaram, por telefone, um encontro. Ao comparecerem ao “ponto” foram presos. Interrogados, entregaram o esquema dos “pontos” marcados por Marighela. Os contatos eram feitos por meio de ligações telefônicas para frei Fernando, na livraria Duas Cidades em  que ele trabalhava, usando a senha: “Aqui é da parte de Ernesto. Esteja hoje na gráfica”.
Frei Fernando foi levado pela polícia à livraria para aguardar o telefonema. Na hora marcada, o telefone tocou e frei Fernando atendeu, ouviu a senha e confirmou o “ponto” que seria às 20 horas, na altura do nº 800 da Alameda Casa Branca.
O dispositivo para prender Marighela foi armado. Homens escondidos nos edifícios em construção e numa caminhonete observavam tudo. Do outro lado da rua, o delegado Fleury fingia namorar. Mais adiante, outro casal também “namorava”. No lugar certo, o Fusca de sempre, com os dois frades dentro.
Pouco antes da hora, um homem passou devagar, examinando o local. A polícia o identificou como sendo Edmur Péricles Camargo, mas o deixou passar.
Na realidade, não era Edmur e sim Luís José da Cunha (Crioulo), que dava cobertura a Marighela. A polícia preferiu esperar o peixe maior.
Marighela chegou pontualmente às 20h00, dirigiu-se ao Fusca e entrou na parte traseira. Frei Ives e Fernando saíram rapidamente do carro e se jogaram no chão. Percebendo a emboscada, imediatamente reagiu à prisão e foi morto.
Marighela seguiu as normas de seu manual. Portava um revólver e levava duas cápsulas de cianureto.
Na ocasião, em meio a intenso tiroteio, morreram também a investigadora Stela Morato e o protético Friederich Adolf Rohmann, que passava pelo local do tiroteio. O delegado Tucunduva foi ferido gravemente. Marighela foi morto na noite do dia 4 de novembro de 1969, dentro de um carro, na Alameda Casa Branca, zona nobre de São Paulo.
Ele usava identidade falsa em nome de Mário Reis Barros, expedida pelo Instituto Pereira Faustino, do Estado do Rio de Janeiro.
Acabava assim Marighela, mas seus seguidores continuaram a agir segundo seu Minimanual, que aterrorizou o Brasil e o mundo.
Em 1996, um dossiê da Comissão Especial de Mortos e Desaparecidos do Ministério da Justiça contestou a versão oficial de sua morte e homologou a decisão de conceder o pagamento de indenização à sua viúva, Clara Charf. Para a comissão prevaleceu a justificativa de que Marighela teria sido abatido com um tiro no peito, à queima roupa.
Primeiro, não é viável que o delegado Fleury perdesse a oportunidade de prender Marighela, para interrogá-lo, deixando que o executassem. Segundo, é fantasioso que, para confirmar a versão do tiroteio, tivessem assassinado a investigadora, o protético e ferido gravemente o delegado. Se Marighela foi morto à queima roupa, por que o tiroteio?
Esse “herói”, que a esquerda venera em prosa e verso, é nome de rua no Rio de Janeiro, em São Paulo, no Rio Grande do Sul e de viaduto em Belém do Pará. O Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) mantém no Acampamento 26 de Março, em Marabá, no Pará, a Escola Carlos Marighela.
Em Pinar del Rio, Cuba, em 1973, foi inaugurada uma escola com seu nome. 
O arquiteto Oscar Niemeyer projetou o Memorial Carlos Marighela, a ser construído pelo governo do Estado do Rio de Janeiro, no bairro proletário de Santa Bárbara, Niterói, onde militantes comunistas se reuniam, na clandestinidade, provavelmente para organizar suas ações.
Para relembrar os 35 anos da morte de Marighela  foi re-inaugurado em São Paulo, em 2004 , um marco na Alameda Casa Branca, 815, local onde morreu. Tudo isso com o dinheiro do contribuinte, que, desinformado, assiste a tudo passivamente.
O Minimanual de Marighela é a prova da selvageria e do desprezo pelo ser humano, na insana perspectiva de que os fins justificam os meios.
Joaquim  Câmara Ferreira  ( "Toledo" ) foi surpreendido com a morte de Marighela quando estava em Paris, a caminho de Cuba, hospedado na casa de  Aloysio Nunes Ferreira (que viria a ser Ministro da Justiça no governo de Fernando Henrique Cardoso nos anos de 2001 e 2002) .
 A fim de auxiliar o soerguimento e a continuidade  das ações, foram deslocados  do Rio de Janeiro para São Paulo Carlos Eugênio Coelho Sarmento da Paz ( " Clemente") e Ana Burnsztyn.
Apesar da grande perda para a subversão e o terrorismo, a Aliança Libertadora Nacional – ALN - se reergueria sob o comando  de
“Toledo”, segundo homem na hierarquia da organização e continuaria sua trajetória de crimes.

17/06 - VASCULHANDO O ORVIL - ALN - Capítulo IX

 ALN SOB NOVA DIREÇÂO
O início de 1970 encontra a ALN (Ação Libertadora Nacional) sob o impacto da morte de Carlos Marighela.  Joaquim Câmara Ferreira – “Toledo” ou “Velho”(Foto) -, substituto natural de Marighela, desde o seqüestro do embaixador americano, estava em Paris fazendo contatos e buscando apoio para à luta armada.
Texto completo
Informado do momento crítico que vivia a ALN, “Toledo” resolveu voltar ao Brasil, via Cuba, o que lhe proporcionaria apoio junto às autoridades cubanas e contato com militantes do II Exército da ALN – grupo que terminou o curso de guerrilha em fins de 1969, concitando-os a voltar ao Brasil.
“Toledo” voltou ao Brasil em fins de janeiro de 1970 e, antes de sair de Cuba, concedeu uma entrevista à Rádio Havana, reafirmando os princípios revolucionários de Marighela. Essa entrevista foi considerada uma orientação aos militantes da ALN.
Durante a entrevista, “Toledo” confirmou que a revolução brasileira não tinha prazo fixo e que as ações de guerrilha urbana deveriam se intensificar com assaltos, atentados, seqüestros, ataques a quartéis, prosseguindo sempre num ritmo crescente. No campo, incitava os militantes a invadir fazendas, matar o gado e distribuir a carne entre a população, para angariar simpatia e com isso novos adeptos à causa da guerrilha rural.
Ainda na entrevista, “Toledo” afirmou que a morte de Marighela deveria ser vingada e, finalizando, relembrava que a união das forças revolucionárias deveria ser conseguida por meio de ações concretas.
O seqüestro do embaixador americano foi citado na entrevista como um exemplo a ser seguido, o primeiro passo para ações em “frente”- em conjunto com outras-, já que, nesse seqüestro, haviam atuado juntas a DI-GB, a ALN  e o MR-8. As ações em “frente”  sempre seriam admitidas em situações excepcionais.
“Toledo” vaticinava a união das organizações revolucionárias partidárias da luta armada.
Em março, “Toledo” estabeleceu tarefas para consolidar a organização: retomar a iniciativa nas cidades e incrementar a iniciativa no campo.  Suspendeu a ida de militantes para Cuba, alegando a necessidade de mais revolucionários no Brasil, para incrementar a luta armada,  e a existência, no país, de um grande número de militantes com curso de guerrilha no exterior. Vários militantes do II Exército da ALN já se encontravam atuando no Brasil, além de um novo grupo, o III Exército, que já estava sendo adestrado em Cuba.
  A ALN tinha pressa para se reestruturar. No Uruguai, a organização, por meio de Carlos Figueiredo de Sá, tentava refazer o esquema que havia caído com a prisão de Frei Beto. No entanto, a prisão de Luis Carlos Rocha Gaspes, indicado por Carlos Figueiredo de  Sá para manter o esquema ativo, novamente desmonta o esquema. Ele foi preso com gráficos contendo roteiros e localidades de fronteira que seriam usados no trânsito dos subversivos. Esse trânsito (entrada e saída)  foi planejado por Apolônio de Carvalho, do PCBR e pelo ex-major do Exército Joaquim Pires Cerveira.
Da avaliação da documentação apreendida entendia-se que o comando da organização, incluindo o pessoal no exterior, estava sob a liderança de “Toledo”. Entretanto, os militantes que estavam em Cuba se rebelavam quanto à direção no Brasil. Desejavam a criação de uma direção em Cuba. Na tentativa de solucionar esse problema, foram definidas as voltas, ao Brasil, de João Leonardo da Silva Rocha e Ricardo Zaratini, visando à preparação de uma liderança que pudesse atuar em Cuba. “Toledo” desejava expandir a organização e para isso necessitava, cada vez mais, de militantes. Estava descontente com a falta de coordenação entre as ações do GTA (Grupo Tático Armado) e da Frente de Massas (que arregimentava novos militantes).
Enquanto se consolidavam as suas estruturas, sob a direção de seu novo líder, a ALN sofreu outro grande golpe. No dia 23 de outubro de 1970 Joaquim Câmara Ferreira ,“Toledo”,  era preso pela equipe do Delegado Fleury e morria de enfarte.
A prisão de “Toledo” foi o resultado de um paciente trabalho dos órgãos de segurança, que detectaram a presença de Maria de Lourdes Rego Melo (Baixinha), sua companheira de “aparelho”.
Com o desaparecimento de “ Toledo” terminava o período de atuação monolítica da ALN, resultado da orientação centralizadora de seus líderes nacionais, Carlos Marighela e Joaquim Câmara Ferreira. Começava a contestação à linha política e à forma de atuação, por militantes do III Exército que se encontravam em Cuba, fazendo curso de guerrilha.
Mais cedo do que se poderia imaginar, a ALN se dividiria e dessa divisão surgiria o Movimento Libertador Nacional - MOLIPO . A causa dessa divisão era a falta de uma liderança carismática que a pudesse conduzir nos momentos do confronto armado.
Debilitada com as derrotas de 1969, a Coordenação do Comando Regional de SP – CR/SP - resolveu aderir à Frente de Mobilização Revolucionária – FMR-, composta pela Vanguarda Popular Revolucionária - VPR -, REDE, Partido Operário Comunista – POC – e Movimento Revolucionário Tiradentes – MRT –
 Em janeiro de 1970, Flávio Augusto Neves Leão  Sales integrou-se ao Grupo.
A partir da segunda quinzena de janeiro o Setor de Massas, encarregado de recrutamento de novos militantes, foi duramente atingido. Foram presos Miguel Nakamura e José Alprin Filho ( dirigente do setor operário). Em fevereiro foram presas Maria Luiza Locatelli Garcia Beloque, coordenadora do setor estudantil, e sua cunhada Leslie Denise Beloque.
O Grupo Tático Armado – GTA -, coordenado por Guiomar Silva Lopes, reestruturou-se com os remanescentes do grupo de Carlos Eduardo Fleury e com elementos que agiam na Guanabara. Pouco a pouco elementos cooptados para comporem a Frente de Massa – FM -, foram sendo cooptados para os GTA. 
Esse mesmo grupo assaltaria no dia 2 de março a agência do União de Bancos Brasileiros, na Avenida Jabaquara; no dia 20 de março a agência do Bradesco, no Jaguaré;  também assaltaria um soldado da Força Pública, nas proximidades do Ibirapuera, para “expropriação” de sua arma.

Participaram dessas ações: Hiroaki Torigoe, Venâncio Dias  Costa Filho e José Carlos Gianini, supervisionados por  Carlos Eugênio Sarmento Coelho da Paz “Clemente”, do Grupo Tático Armado – GTA.

 As atenções dos órgãos de segurança continuavam focadas para o setor de massas.
No Rio foi preso Nelson Luiz Lott de Morais Costa, que abriu um ponto que teria com “Alencar”, em São Paulo. Na cobertura desse “ponto” “Alencar” foi preso e identificado como Gilberto Luciano Beloque, o coordenador do setor, dando seqüência à sua desarticulação.
 Em seguida, também em São Paulo, foi presa Guiomar Silva Lopes e junto com ela, Sônia Hipólito, da rede de sustentação.
Por ocasião de sua prisão, Guiomar Silva Lopes tentou o suicídio, ingerindo substância desconhecida. Atendida no Pronto Socorro Santa Lúcia, por falta de vagas, foi transferida para o Hospital das Clínicas, onde ficou em observação.
Após algumas horas de observação, Guiomar, seguindo orientação do manual de Marighela, incutido nos membros do GTA, tentou, novamente, o suicídio, lançando-se pela janela do 4º andar do hospital. Por sorte, teve sua queda amortecida por um toldo, sobrevivendo com a bacia fraturada. Transferida para o Hospital Militar de São Paulo, restabeleceu-se sob intensa vigilância e pode responder por seus crimes.
 Com a prisão de Guiomar, José Edézio Brianezzi assumiu a coordenação de um dos grupos do GTA e Carlos Eugênio Sarmento Coelho da Paz passou a coordenar o GTA como um todo, enquanto o outro grupo era liderado por José Milton Barbosa.
A ALN  continuaria a praticar ações bastante violentas, mesmo depois da divisão que geraria o MOLIPO.
 Próximo capítulo – Os “justiçamentos” de companheiros pela ALN

02/07 - Projeto Orvil - ALN - Capítulo X

  A ALN e os "Justiçamentos"
Pela editoria do site

Aproveitando o idealismo dos jovens, sua ousadia e a sua esperança em poder reformar o mundo,  as organizações subversivo-terroristas, tendo como suporte experientes militantes comunistas, sempre dispensaram especial atenção ao recrutamento dos jovens. 
Texto completo
O recrutamento começava, geralmente, em reuniões sociais, shows, bares, colégios e faculdades. Inicialmente, reuniões informais, sem intenções políticas. A penetração de idéias subversivas era feita no momento em que o jovem sentia os problemas sociais no meio em que vivia.
Depois, os indivíduos que mais se destacavam eram reunidos para discussões em torno de fatos políticos que haviam causado impacto no âmbito internacional ou nacional. .
 Nessa etapa, distribuíam textos que, partindo dos problemas gerais, se dirigiam aos problemas brasileiros.Esses textos levavam a pessoa a concluir que o sistema vigente era totalmente ineficiente, incapaz, explorador e corrupto.
O próximo passo era sugerir aos jovens idéias para concretizar a mudança: a revolução social, inicialmente apresentada como pacífica, para quebrar resistências e comprometê-los com o grupo. Ávidos por mudanças, propunham-se, inicialmente, a apoiar a organização. Contribuíam com dinheiro, mantinham material subversivo e militantes escondidos em suas casas, cediam automóveis para deslocamentos e locais para reuniões. Depois, praticavam pequenas ações, como panfletagem, entrega de mensagens, transporte de material e levantamentos, direção de carros.
 Num crescente, iam se envolvendo em ações mais comprometedoras e perigosas, perdiam o medo e passavam a considerar questão de honra participar de atos arriscados e ter um bom desempenho perante o grupo.
Quando “abriam os olhos” já estavam participando de ações armadas, explosões de bombas e, finalmente, matavam. Nesse momento, descobriam que não tinham mais volta. Largavam a família, o emprego, os estudos e passavam a viver na clandestinidade, usando nomes falsos. A prática de ações armadas tornava-se rotina. Em muitos casos, eram enviados ao exterior para cursos de guerrilha e de capacitação política.  . Depois dos cursos, ocupavam cargos de coordenação ou chefia dentro da organização.
Essa lavagem cerebral e o comprometimento com as organizações subversivas os tornavam reféns do terror e verdadeiros autômatos. Família, pátria, religião passavam a ser “alienações da burguesia”. Em suas mentes só havia espaço para as convicções ideológicas que lhes impregnaram e que, em muitos casos, levaram-nos à morte em enfrentamentos com os órgãos de segurança. Frente à repressão, esses quadros eram orientados a não se entregarem vivos. Eram ensinados a resistir até a morte. Nessa altura, sua formação ideológica tinha normas tão rígidas de comportamento que não havia mais volta. Em casos de arrependimento, corriam o risco de serem “justiçados”.  Para isso tinham um “Tribunal Vermelho”, que , segundo suas absurdas leis,  levados por suspeitas,  condenavam o “réu” sem direito à defesa.
Em nome da “democracia”, não davam direito a seus próprios companheiros de ter um minuto de dúvida sobre o mérito de tão insana luta. 
Normalmente, acumulavam as funções de “juízes” e executores. 
“Justiçamento” de Ary Rocha Miranda - 12/06/1970
Ary Rocha Miranda e Wilson Conceição Pinto, havia pouco, tinham ingressado em um Grupo Tático Armado (GTA) da ALN. Originários da Frente de Massas da mesma organização terrorista, procuravam se adaptar ao novo trabalho, mais violento do que o anterior, no qual aliciavam pessoas.
Após alguns assaltos, sentiram que seriam mais úteis voltando ao trabalho na Frente de Massas, onde usariam mais argumentos do que armas. Cada um, segundo pensaram, seria útil aos propósitos da organização, dentro de suas habilidades pessoais. Gostavam mais de um trabalho de argumentação, arregimentação e convencimento das massas. Certos de que seriam atendidos, pediram à direção o afastamento do  Grupo Tático Armado - GTA. Como resposta, foram ameaçados de morte por membros da ALN, caso abandonassem a luta.
No dia 12/06/70, a ALN fez um assalto ao Banco Nacional de Minas Gerais, na Agência da Avenida Nossa Senhora da Lapa, esquina com a Rua Afonso Sardinha, em São Paulo. Tanto Ary, como Wilson, mesmo desconfiados, participaram da ação.
Eduardo Leite, o “Bacuri”, pertencia à Resistência Democrática (REDE), mas, nessa ocasião, como a REDE havia sido desbaratada, “prestava serviços” à ALN e participou do assalto. Eduardo Leite era um dos quadros mais violentos da luta armada.
Prontos para a ação, Wilson Conceição Pinto foi colocado como observador, a 30 metros do banco, e os demais partiram para o assalto.
Houve reação e Wilson, de onde estava, presenciou o tiroteio. “Bacuri” acabara de ferir, mortalmente, Ary Rocha Miranda com um tiro no peito. Logo a seguir, Wilson foi atingido por um tiro transfixiante no braço esquerdo, também disparado por “Bacuri”. Apavorado, lembrou-se das ameaças e da “coincidência” de os dois, ele e Ary, serem atingidos por um homem tão experiente em ações armadas como “Bacuri”. Apavorado, resolveu fugir, enquanto estava vivo. Evadindo-se do local, sem usar os carros da ALN, procurou socorro no Hospital São Camilo. Em seguida, entregou-se às autoridades. 
Ary Rocha Miranda não teve a mesma sorte, foi transportado de carro, em estado gravíssimo, por Hiroaki Torigoe, “Bacuri” e um militante de codinome “Francisco”, para o “aparelho” de “Bacuri”. Para o ferimento no peito de Ary, foi apresentada a versão de que “Bacuri” confundira os dois companheiros de ação com os seguranças do banco.
A farsa prosseguiu com a ida de um militante do GTA, aluno do terceiro ano de Medicina, ao “aparelho” para prestar socorro a Ary, quando esse já estava morto.
No dia seguinte, foi escolhido o local do enterro. Por volta das 15 horas, dois elementos da ALN e “Bacuri” colocaram o cadáver na mala do carro e o enterraram num terreno em Embu-Guaçu, para uns, ou em Itapecerica da Serra, segundo outros. Lá está, até hoje, o corpo de Ary Rocha Miranda que, na época, tinha 22 anos, era natural de Ribeirão Preto e professor de caratê, 3º Dan. Foi assassinado pela ALN, porque resolveu mudar para a antiga função de aliciador.
Durante muito tempo, Ary foi dado como desaparecido e a responsabilidade pela sua morte imputada aos órgãos de segurança. Essa farsa só foi desfeita quando os militantes da organização começaram a “cair” e, na prisão, esclareceram a verdade.
Justiçamento” de Márcio Toledo Leite - 23/03/1971
Reunido em nova sessão, o macabro “Tribunal Vermelho”, tendo como “juízes” Carlos Eugênio Sarmento Coelho da Paz (Clemente), José Milton Barbosa (Cláudio), Antônio Sérgio de Matos (Uns e Outros), Paulo de Tarso Celestino da Silva e Iuri Xavier Pereira (Big), condenou à morte, como sempre sem direito à defesa, Márcio Toledo Leite. Delito: suspeita de vacilação em suas convicções ideológicas e divergências políticas.
Em 1965, Márcio entrou para a Faculdade de Sociologia em São Paulo. O rapaz alegre, mulherengo e bon vivant passou a ser um ativo militante do movimento estudantil, interessado quase que exclusivamente em política.
Márcio era filho de uma família abastada de Bauru, proprietária de uma rede de faculdades espalhadas pelo interior de São Paulo. Entrou para a guerrilha quando cursava a faculdade e passou a usar o nome falso de Sérgio Moura Barbosa.
Em 1968, após participar de algumas ações, foi preso e libertado logo depois. Em seguida, viajou para Cuba, onde fez curso de treinamento de guerrilha, aprendendo a manusear armamentos e explosivos e a executar sabotagens, além de técnicas de guerrilha urbana e rural. Regressou ao Brasil, clandestinamente, em 1970, e passou a integrar a coordenação nacional da ALN, participando de algumas ações.
Faziam parte dessa coordenação: Carlos Eugênio Sarmento Coelho da Paz  (Clemente); Arnaldo Cardoso Rocha (Jibóia); Hélcio Pereira Fortes (Nelson); Yuri Xavier Pereira (Big); e Márcio Toledo Leite (Vicente).
A partir das ações nas quais participou, Márcio começou a divergir dos demais membros da Coordenação Nacional. Passou a criticá-los pelos métodos usados pela organização e pela forma de atuação.
Esses “jovens estudantes”, que, como apregoam, tanto lutaram pela liberdade e “redemocratização do País”, autoritários e antidemocráticos, j amais permitiriam que alguém questionasse decisões do grupo e, muito menos, tentasse deixar a luta armada ou a organização.
Márcio Toledo Leite, no dia 23 de março de 1971, chegou ao local de encontro, na Rua Caçapava, 405, na Consolação, em São Paulo, para conversar com os integrantes da ALN, pois estava insatisfeito com a forma pela qual a organização conduzia a luta armada.
Enquanto esperava, surgiu um Volks com dois ocupantes que dispararam mais de dez tiros de revólver .38 e pistola 9 mm. Um Gálaxie com três elementos dava cobertura à ação. Márcio foi atingido por oito disparos. Morreu na hora.
Participaram da ação: Carlos Eugênio Sarmento Coelho da Paz ;  Antônio Sérgio de Matos;  Yuri Xavier Pereira; Paulo de Tarso Celestino da Silva; e  José Milton Barbosa.
A ALN assumiu a autoria do assassinato em panfletos deixados no local onde se lia:
“Foram ouvidos os companheiros do comando, diretamente ligados a ele, e foi dada a decisão.
Uma organização revolucionária, em guerra declarada não pode permitir a quem tenha uma série de informações como as que possuía, vacilação dessa espécie, muito menos suportar uma defecção desse grau em suas fileiras. Cada companheiro ao assumir qualquer responsabilidade deve pesar bem as conseqüências deste fato” (...)
“Depois disto não se permite recuos.As divergências políticas serão sempre respeitadas. Os recuos de quem não hesitou em aceitar responsabilidades, nunca!
O resguardo dos quadros e estrutura da organização é questão revolucionária. A revolução não admitirá recuos!
Ou ficar a Pátria livre ou morrer pelo Brasil.
Ação Libertadora Nacional - ALN.”
Após a morte de Márcio Toledo Leite, as autoridades encontraram em seus bolsos uma carteira de identidade que o identificava como Sérgio Moura Barbosa e uma carta onde ele fazia um longo relato sobre suas divergências com os seus companheiros da ALN. A carta é encerrada da seguinte forma:
“Não vacilo e não tenho dúvidas quanto às minhas convicções. Continuarei trabalhando pela revolução, pois ela é o meu único compromisso. Procurarei onde possa ser efetivamente útil ao movimento e sobre isso conversaremos pessoalmente.”

Justiçamento” de Carlos Alberto Cardoso - 13/11/1971
Carlos Alberto Cardoso, “Jaime”, militante da Ação Libertadora Nacional (ALN), foi preso pelo Centro de Informações da Marinha - Cenimar, em 9 de novembro de 1971, no Rio de Janeiro. Era enfermeiro e colaborou em um assalto ao hospital em que trabalhava. No interrogatório, teria feito um acordo com o Centro, para ser informante e colaborar com o órgão. Depois de solto, ou arrependeu-se, ou não teve tempo de passar as prometidas informações, pois, quatro dias depois, foi “justiçado” pelos companheiros de organização.
No dia 13 de novembro, Carlos Alberto foi executado pela ALN, com 21 tiros de metralhadora, no bairro Encantado, no Rio de Janeiro. A acusação, que o “tribunal” não discutiu, foi traição.

“Justiçamento” de Jacques Moreira de Alvarenga - 28/06/1973
Um dos poucos militantes que restavam da  Resistência Armada Nacional - RAN era o professor Jacques Moreira de Alvarenga. Para sua infelicidade, no curso onde dava aulas para vestibulandos,  tornou-se amigo de Merival Araújo, o “Zé”, da ALN, um dos participantes do assassinato do delegado Octávio Gonçalves Moreira Júnior.
No dia 5 de abril de 1973, foi a vez do “comandante Amadeu”, também da RAN , ser preso e “entregar” vários militantes , inclusive o professor Jacques, que também foi preso. Durante seus depoimentos na polícia, o professor “abriu” um contato que teria com Merival. Preso, Merival “abriu um ponto”. Levado ao local para a “cobertura”, tentou fugir e foi morto.
A ALN perdeu um dos seus “quadros” mais ativos e violentos e jamais perdoaria o professor Jacques.
A libertação do “Professor”, um mês depois, deixou a ALN excitada. Era preciso vingar Merival e, para isso, os seus militantes tinham prática. O “Tribunal Revolucionário” foi novamente convocado e o professor Jacques condenado à morte, sem direito à apelação.
Maria do Amparo Almeida Araújo, irmã de Luís Almeida Araújo, ambos da ALN, participou do levantamento dos hábitos do “Professor”. Em 28 de junho de 1973, às 11h15, o companheiro de Maria do Amparo, Thomaz Antônio da Silva Meirelles Neto, “Luís”, um dos mais violentos militantes da ALN, que também participara do assassinato do delegado Octávio, chefiando dois militantes da ALN, nunca identificados, rendeu o porteiro do Colégio Veiga de Almeida, da Rua São Francisco Xavier, na Tijuca. Invadiram a escola e encontraram o professor Jacques sentado numa sala de aula, redigindo uma prova para os vestibulandos do curso MCB. Quatro tiros de pistola .45 mataram o professor, menos de três semanas depois de ter sido solto. Um cadáver, muito sangue no chão e uma das paredes pichadas com a sigla ALN, foi o que encontraram os policiais ao chegarem no local.
Além dos "justiçamentos" de companheiros, outras vítimas, foram "julgadas" e executadas, sem direito a defesa , apenas por supostas traições, ajudas aos órgãos de segurança, por pertencerem a "países imperialistas" ou por serem membros dos órgãos que os combatiam.

 Capitão do Exército dos Estados Unidos Charles Rodney Chandler - 12/10/1968
A Vanguarda Popular Revolucionária (VPR) desejava realizar uma ação que tivesse repercussão no exterior, ao mesmo tempo que a projetasse no âmbito das organizações terroristas nacionais.
A proposta foi discutida entre Marco Antônio Braz de Carvalho, o “Marquito”, da ALN, ligação de Marighella com a VPR, e Onofre Pinto, dessa segunda organização.
Foi estudada a possibilidade de assassinar o capitão do Exército dos EUA Charles Rodney Chandler, aluno bolsista da Universidade de São Paulo. Ele cumprira missão no Vietnam e viera para o Brasil com a esposa Joan Xotaletz Chandler e quatro filhos menores. Fazia um curso na Escola de Sociologia e Política da Fundação Álvares Penteado, em São Paulo. Para justificar o “justiçamento”, alegaram que Chandler lutara contra a causa do Vietnam e era representante do imperialismo americano. Novo “Tribunal Revolucionário” e novos “honoráveis juízes” foram convocados:
Onofre Pinto, João Quartin de Moraes e Ladislas Dowbor, todos da VPR, condenaram-no à morte. Em seguida, passaram à ação. Era necessário “levantar” a residência do militar americano e seus hábitos, o que foi feito por Dulce de Souza Maia, a “Judite”, também da VPR.
Concluído o levantamento, os dados foram entregues ao grupo de execução, formado por: Pedro Lobo de Oliveira - VPR; Diógenes José de Carvalho Oliveira - VPR; e Marco Antonio Braz de Carvalho - ALN.
No dia 12 de outubro de 1968, às 8h15, executaram a sentença. De uma casa ajardinada na Rua Petrópolis, no Sumaré, Chandler saiu para mais um dia de estudos. Já se despedira dos filhos: Jeffrey (4 anos), Todd (3 anos) e Luanne (3 meses). Retardou-se um pouco se despedindo de Joan, sua mulher. O filho mais velho, Darryl, de nove anos, como fazia todos os dias, correu para abrir o portão da garagem. O grupo de execução o espreitava com uma metralhadora INA e dois revólveres calibre 38. O carro usado era um Volks roubado, que impediu a passagem do carro do capitão.
Diógenes José Carvalho Oliveira descarregou à queima roupa os seis tiros do seu revólver. Em seguida, Marco Antônio Braz de Carvalho desferiu-lhe uma rajada de metralhadora.
No interior do carro, crivado de balas, estava morto Charles Rodney Chandler.
Era essa a forma usada pelos criminosos da esquerda revolucionária para dar curso à sua “luta contra a ditadura militar”. Assassinar com crueldade era o dia-a-dia desses sanguinários combatentes do marxismo-leninismo.
Participaram da ação: Onofre Pinto - VPR; João Carlos Kfouri Quartin de Moraes - VPR; Ladislas Dowbor - VPR; Dulce de Souza Maia - VPR; Pedro Lobo de Oliveira - VPR; Diógenes José de Carvalho Oliveira - VPR; e Marco Anônio Braz de Carvalho - ALN.

 Justiçamento de Henning Albert Boilesen - 15/04/1971
As ações dos terroristas causavam insegurança junto aos empresários, pois elas poderiam desestabilizar a economia, que estava em franco crescimento. Além disso, temiam os seqüestros.
A expressiva presença de integrantes de todos os segmentos da sociedade paulista nas solenidades militares era constante, demonstrando, publicamente, o reconhecimento pelo trabalho que vinha sendo realizado para acabar ou reduzir a  intranqüilidade da sociedade em face da guerrilha urbana.
Henning Albert Boilesen  era uim industrial dinamarquês, naturalizado brasileiro.  Tinha profunda admiração pelo Brasil. Falante, declarava-se anticomunista e condenava, publicamente, os atos subversivos e terroristas. Era um amante das artes e um homem preocupado como os aspectos sociais. Auxiliava entidades filantrópicas e criou o Centro Integrado Empresa-Escola, entidade responsável pela formação de mão-de-obra especializada.
Os reveses que os terroristas vinham sofrendo e o ostensivo reconhecimento público da sociedade ao trabalho dos órgãos de segurança, os levaram a mais um ato insano.
Os inimigos da Contra-Revolução de 1964, que apoiavam a luta armada, não se conformavam com o sucesso do combate ao terrorismo.
Era preciso desmoralizar, caluniar, inventar, criar e deturpar fatos e, principalmente, mentir. Espalharam o boato de que o êxito do trabalho do DOI se devia ao fato de alguns industriais auxiliarem  o órgão com muito dinheiro.
Essa farsa, a respeito das doações, chegou aos ouvidos dos terroristas. Eles decidiram que teriam de “justiçar” alguns desses “colaboradores da repressão” e seqüestrar outros para intimidá-los. Com esses assassinatos, estancariam os recursos que eles pensavam estar abastecendo o DOI. Os seqüestros serviriam para libertar presos ou exigir dinheiro em troca da liberdade dos reféns.
Depois de alguns estudos para escolherem a primeira vítima, Carlos Lamarca mandou por André Camargo Guerra, do Movimento Revolucionário Tiradentes (MRT), para Herbert Eustáquio de Carvalho (Daniel), da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), um bilhete com três nomes:
Henning Albert Boilesen - diretor do Grupo Ultra; Peri Igel - presidente do Grupo Ultra; e Sebastião Camargo - presidente da Construtora Camargo Correia.
No seu bilhete, Lamarca marcou com uma cruz o nome de Boilesen, indicando- o como o primeiro a ser “justiçado”.
O levantamento dos hábitos de Boilesen começou na segunda quinzena de janeiro de 1971 e dela participaram: Devanir José de Carvalho, Dimas Antônio Casemiro, Gilberto Faria Lima e José Dan de Carvalho, pelo MRT; Carlos Eugênio Sarmento Coelho da Paz, pela ALN; e Gregório Mendonça e Laerte Dorneles Méliga, pela VPR.
Em 5 de abril de 1971, Devanir José de Carvalho, um dos que participaram do levantamento, morreu quando, em seu “aparelho”, enfrentou agentes do DOPS.
A “frente”, que recebeu o nome de “Comando Revolucionário Devanir José de Carvalho”, era formada por três organizações terroristas: Vanguarda Popular Revolucionária (VPR); Ação Libertadora Nacional (ALN); Movimento Revolucionário Tiradentes (MRT).
No dia 15 de abril de 1971, quando Boilesen entrou com seu carro na Alameda Casa Branca, dois carros com os terroristas emparelharam com o dele. Pela esquerda, Yuri, colocando um fuzil para fora da janela, disparou um tiro que raspou a cabeça de Boilesen. Este saiu do automóvel que dirigia e correu em direção contrária ao movimento dos veículos. Foi inútil. José Milton Barbosa, que vinha pela direita, descarregou sua metralhadora nas costas do empresário.
Yuri desfechou-lhe mais três tiros de fuzil.Cambaleando, Boilesen arrastou-se mais alguns metros e caiu na sarjeta.Aproximando-se, Yuri disparou mais um tiro que lhe arrancou a maior parte da face esquerda.
Sobre o corpo de Boilesen, mutilado com 19 tiros, Joaquim Alencar Seixas e Gilberto Faria Lima jogaram panfletos, dirigidos “Ao povo brasileiro”, onde faziam a seguinte ameaça:
“Como ele, existem muitos outros e sabemos quem são. Todos terão o mesmo fim, não importa quanto tempo demore. O que importa é que sentirão o peso da Justiça Revolucionária.
Olho por olho, dente por dente.”
Participaram da execução de Boilesen: Joaquim Alencar Seixas (Roque), do MRT; Dimas Antônio Casemiro (Rei), do MRT; Yuri Xavier Pereira (Big), da ALN; Antônio Sergio de Matos (Uns e Outros), da ALN; José Milton Barbosa (Cláudio), da ALN; e Gilberto Faria Lima (Zorro), da VPR.
As famílias dos que participaram dessa ação e depois morreram, foram indenizadas pela Lei 9.140/95. Os que continuaram vivos foram indenizados por outras Leis.
A família do industrial assassinado deveria pensar em processar aqueles que, através da mentira e da calúnia, deturpam os fatos e procuram manchar a honra e a dignidade de Henning Albert Boilesen.

David A. Cuthberg
05/02/1972
Em 1972, para comemorar os 150 anos da Independência do Brasil, vários eventos foram programados. Um desses era a visita de uma Força Tarefa da Marinha Inglesa, composta por cinco navios, que chegou ao porto do Rio de Janeiro em 5 de fevereiro.
Ansiosos para conhecer o Rio de Janeiro, os marinheiros, no mesmo dia, saíram para aproveitar a noite carioca. Não imaginavam que, no País, terroristas estavam agindo, como sempre, traiçoeiramente.
Após o serviço no navio HMS Triumph, um jovem marinheiro, de 19 anos, David Cutthberg, e seu colega Paul Stoud tomaram um táxi e partiram para o que imaginaram ser uma noite de muito samba e alegria.
Nove terroristas, no entanto, estavam em dois carros, à espreita, prontos para novo “justiçamento”. O “Tribunal Revolucionário” escolheu a vítima aleatoriamente. Não interessava a identidade do morto, apenas o impacto na opinião pública, além do destaque, no exterior, que seria dado às organizações terroristas.
No táxi, conduzido por Antônio Melo, os dois jovens seguiam, ansiando por divertimento. Logo em seguida, na esquina da Avenida Rio Branco, em frente ao Hotel São Francisco, viram um carro emparelhar com o táxi. Pela janela desse carro uma metralhadora cuspia fogo. Foi a última visão que o marinheiro David Cuthberg teve do Rio de Janeiro.  Morreu na hora. Seu colega Paul Stoud e o taxista, atônitos, salvaram-se por milagre.
Lígia Maria Salgado Nóbrega jogou, dentro do táxi, sobre o cadáver, os panfletos com o veredicto do famigerado tribunal. David, como sempre, fora condenado, sem direito à defesa, por representar “um país imperialista”.
O “Comando da Frente”, composto pela ALN, VAR-Palmares e PCBR, justificou o ato insano como sendo solidariedade à luta do IRA contra os ingleses.
Participantes desse “justiçamento”:
Flávio Augusto Neves Leão Salles (Rogério), da ALN; Antônio Carlos Nogueira Cabral (Chico), da ALN ; Aurora Maria do Nascimento Furtado (Márcia), da ALN ;
Adair Gonçalves Reis (Sorriso), da ALN; Lígia Salgado da Nóbrega (Ceguinha), da VAR-Palmares ; Hélcio da Silva (Anastácio), da VAR-Palmares; Carlos Alberto Salles (Soldado), da VAR-Palmares; James Allen Luz, da VAR-Palmares; e Getúlio de Oliveira Cabral (Gogó), do PCBR .

Assassinato do Dr. Octávio Gonçalves Moreira Júnior
25/02/1973
Com o grande número de quedas em combate com os órgãos de segurança, as organizações chegaram à conclusão que era necessária uma ação de impacto que as atingisse diretamente.
Apareciam em documentos apreendidos em “aparelhos” de terroristas, em São Paulo, levantamentos de oficiais das Forças Armadas, de membros da Secretaria de Segurança e do pessoal do DOI/II Exército.
Alguns desses levantamentos foram enviados para o Chile, onde um grupo grande de refugiados atuava. O sanguinário “Tribunal Popular Revolucionário” decidiu que o impacto seria maior se “justiçassem” um membro do DOI. O tribunal era composto por “honoráveis juízes” da VPR, ALN, PCBR e VARPalmares.
O escolhido foi o Dr. Octávio Gonçalves Moreira Júnior, delegado de Polícia, 33 anos, membro do DOI/II Ex e chefe de uma das Turmas de Busca e Apreensão.
Avisado sobre os levantamentos encontrados, alegava, com seu sorriso contagiante, que Deus estava com ele, que nada temia e continuaria com sua vida normal.
Em São Paulo, cumpria a sua rotina diária, sempre atento e seguindo as normas de segurança. Nos finais de semana, sexta-feira à noite, quando não estava de plantão, seguia para o Rio de Janeiro onde ia ver sua noiva. No Rio, andava sempre desarmado. Em Copacabana, relaxava. Hospedava-se, ia à praia e jogava vôlei, sempre no mesmo lugar. Despreocupado, apesar de todas as instruções recebidas para verificar se estava sendo seguido.  Confiava na sorte e facilitava. Aproveitando-se disso, Bete Chachamovitz, da ALN, fez todo o seu levantamento e repassou sua rotina para o “Comando Getúlio de Oliveira Cabral”. Todos os horários, hábitos, locais freqüentados, enfim, toda a sua ficha. Estava selada a sua sorte .
Sexta-feira, 23/02/1973, à noite, Dr. Octávio viajou para o Rio de Janeiro.Sábado amanheceu no Rio e foi para o apartamento onde sempre se hospedava. Em seguida, foi à praia de Copacabana. Não percebeu dois homens estranhos que o observavam. No dia seguinte, domingo, 25/02/1973, pela manhã foi à praia . Jogou vôlei e, na volta, foi almoçar no Leme, com seu amigo Carlos Alberto Martins. Voltou do almoço e, distraído, não notou um automóvel Opala estacionado na esquina da Avenida Atlântica com a Rua República do Peru. Os carrascos estavam à espreita desde às 15 horas. No Opala, os encarregados da execução. Os outros estavam em locais estratégicos para dar cobertura.
Dr Octávio estava de bermudas e como sempre, desarmado. Parou em um orelhão para ligar para a noiva. Nesse momento, Bete Chachamovitz fez um sinal e o apontou para os assassinos. Três terroristas partiram em sua direção. Uma esteira de praia, debaixo do braço de um deles, escondia uma carabina calibre 12 mm, arma de caça, de alto poder de destruição.
De dentro da esteira partiu o primeiro tiro que o atingiu pelas costas. O impacto foi tão forte que o derrubou e o atirou longe. Um segundo tiro, dirigido ao coração, atingiu um crucifixo de ouro que ele trazia - Dr Octavio era católico praticante e pertencia à Ordem Terceira de São Francisco. O outro homem aproximou-se e deu-lhe mais dois tiros no rosto, deformando-o. Os últimos tiros foram disparados de uma pistola 9 mm. Ele morreu instantaneamente. Seu amigo, Carlos Alberto, foi ferido com dois tiros, mas sobreviveu. Os assassinos jogaram panfletos sobre o corpo e fugiram em seguida.
Como impacto sobre os órgãos de segurança não poderia haver melhor escolha. Dr. Octávio era um delegado idealista, carismático, amável e estimadíssimo.
Participaram da ação:
Bete Chachamovitz - ALN;  Merival Araújo (Zé) - ALN;  Flávio Augusto Neves Leão Salles (Rogério) - ALN;  Thomaz Antônio da Silva Meireles Netto (Luiz) - ALN;
José Carlos da Costa (Baiano) - VARPalmares;  James Allen Luz (Ciro) - VAR-Palmares; Ramires Maranhão do Vale (Adalberto) - PCBR; e  Ranúsia Alves Rodrigues (Florinda) - PCBR.
Para os terroristas, o “Tribunal Revolucionário” detinha o poder da vida e da morte e esses assassinatos eram  “justiçamentos”. Ao todo os terroristas "justiçaram" , cerca de 30 pessoas.

Veja  no site www.averdadesufocada.com - Sessão de Vídeos a Entrevista   com Carlos Eugênio Sarmento Coelho da Paz, o "CLEMENTE"  - Militante do Grupo Tático Armado da  ALN, ao Fantástico. 
Fontes: A Verdade Sufocada - A história que a esquerda não quer que o Brasil conheça - Carlos Alberto Brilhante Ustra